A Sagrada Geometria na Natureza

As formas geométricas nos contam que há uma sabedoria por trás de toda a criação do Universo – inclusive a nossa

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Se repararmos bem, há um padrão em tudo o que está no universo: das colmeias das abelhas à forma dos planetas, das moléculas da química à estrutura das galáxias. Dos flocos de neve à concha do caramujo, da divisão das células às hélices que compõem nosso DNA, do menor vírus à maior baleia. 

Na geometria sagrada, esses desenhos não são mero acaso; eles contêm um significado para além de sua forma e expressam a harmonia da criação. São, também, um convite para um estado mais contemplativo e um sentimento de conexão com o todo. “Apesar do nosso distanciamento do mundo natural, nós, os seres humanos, ainda estamos amarrados às leis naturais do universo”, escreve Nigel Pennick no livro Geometria Sagrada (Ed. Pensamento).

Geometria é a palavra que significa medida (metria) da terra (geo), ou seja, medida da forma, da matéria. “Tudo o que existe tem uma medida, uma informação que pode ser traduzida, muitas vezes em proporções matemáticas que comunicam mensagens. Daí o sentido de sagrado: a forma informa, direciona e pode despertar em nós qualidades superiores à nossa mentalidade corriqueira”, observa o arquiteto Carlos Solano, que aborda o tema em seu curso Casa Natural – A Geometria das Flores.

Um conhecimento antigo

Quem nunca ouviu falar sobre geometria sagrada talvez pense que o conceito é novo, mas esse estudo é muito mais antigo do que imaginamos – há indícios de que seus padrões já eram estudados nas escolas gregas há 2.500 anos – e tem acompanhado diversas civilizações ao longo do tempo. 

No livro Alquimia e Misticismo (Taschen), o professor Alexander Roob faz um compêndio do conhecimento do universo oculto e compartilha uma interessante citação do astrônomo alemão Johannes Kepler.

“A geometria já existia antes da criação das coisas, eterna como o espírito de Deus; é o próprio Deus e foi ela [a geometria] que lhe deu os protótipos para a criação do mundo.”

– escreveu Kepler em 1619, na Harmonices Mundi, obra dedicada a abordar a harmonia das formas geométricas e dos fenômenos físicos.

O interessante é que a gente pode observar a geometria sagrada não só nas manifestações da natureza, mas também nas obras humanas. E sua aplicação universal transcende tempo, lugares e crenças.  Ela já foi aplicada nos templos pagãos do Sol, nos tabernáculos de Jeová, nos santuários católicos, nos templos sufis.

Essas formas também estão presentes nas pirâmides do Egito, nos monumentos pré-históricos de Stonehenge, nas mandalas, em certas pinturas indígenas e até nas obras de artistas, como na Monalisa e no Homem Vitruviano, de Leonardo Da Vinci.

Museu do Louvre, Paris – França
Foto: Unsplash

A geometria, como conta Nigel Pennick, é um instrumento fundamental por trás de tudo o que é feito pelas mãos humanas – e a manipulação da medida estava, nos tempos antigos, ligada a vários princípios místicos. “Naquele período antigo, a magia, a ciência e a religião eram de fato inseparáveis, faziam parte de um conjunto de habilidades possuídas pelo sacerdócio”, conta Nigel.

Pois, embora seja antigo, muito do conhecimento sobre a geometria sagrada foi ocultado. E o tema ainda carrega uma porção de mistério em torno de uma compreensão mais sutil. “É complexo porque nossa consciência está em expansão, então ainda não compreendemos o todo que ela representa, especialmente a parte energética. Ainda estamos caminhando para alcançar a magnitude disso”, diz a terapeuta e estudiosa do assunto, Elenir Melo.

Os símbolos da geometria

Segundo a obra de Nigel Pennick, o círculo representa o complemento, a totalidade. Está na natureza, no sol, nas plantas e nos animais. Enquanto o quadrado, por exemplo, é a divisão do espaço, a estabilidade do mundo. Um hexágono tem conexão direta com os círculos, e uma amostra natural perfeita é o favo de mel, manifestando a harmonia divina da natureza. Teriam as abelhas uma intuição geométrica? Já o triângulo representa o equilíbrio, o começo, o meio e o fim. Sustenta a energia da terra em sua base e recebe a energia do cosmos em sua ponta.

Enquanto isso, a sequência de Fibonacci, ou proporção áurea, traça uma espiral perfeita a partir de quadrados dispostos de maneira geométrica, expressando uma matemática da criação, com harmonia e equilíbrio. Basta lembrar na precisão do miolo de um girassol ou da concha de um caracol.

É interessante perceber que a partir dessas formas simples, como círculo, quadrado e triângulo, desdobram-se outros símbolos, como a flor da vida (representação da beleza criada quando o universo está em harmonia); a semente da vida (que fala do começo de tudo, como a divisão das  nossas células); o hexagrama (símbolo sagrado dos judeus, a fusão dos principais opostos: masculino e feminino, terra e ar, etc.); o cubo de metatron (que também é um componente da flor da vida e, entre seus significados, está o de proteção e transmutação); o sri yantra (que significa instrumento de prosperidade, a conexão entre o físico e o espiritual) e tantos outros.

Sentir o sagrado perto de nós

Pode ser transformador trazer para perto a compreensão de que a geometria sagrada não diz respeito só sobre figuras geométricas que fazemos com régua e compasso. Podemos elevar a nossa compreensão da vida percebendo como ela traduz as relações harmônicas das partes de um ser humano com outro, como está relacionada à estrutura das plantas e dos animais, às formas dos cristais, à arquitetura, a arte, à astrologia, ao Universo. “Dentro desse ponto de vista, parece que, quando entramos em harmonia com o nosso coração, vivemos em ressonância com o coração do cosmos”, diz Carlos Solano.

Elenir complementa a reflexão:  “Um dos principais pontos que a gente atinge a partir da observação da geometria sagrada, é como tudo está interligado na criação, na natureza, até nos nossos objetos do dia a dia. É o princípio da unicidade, do pertencimento”, observa. “Tudo é feito a partir de uma só fonte, ainda que a gente resuma essa consciência a Deus. Aquela forma que está lá no caracolzinho, tão pequeno, é a mesma da imensa Via Láctea”. 

Também é importante permitir que acessemos essas figuras a partir de um outro lugar dentro da gente. Tão acostumados com o pensamento racional e a uma compreensão mental de tudo, por vezes deixamos escapar a potência de algo porque não nos conectamos com o nosso sentir.

“Estamos sempre em busca de respostas prontas e objetivas. E precisamos criar um sentimento de conexão com as coisas para entender para além do que uma pessoa falou que significa”, diz Elenir, que quando começou seus estudos na geometria sagrada percebeu que o conhecimento não seria integrado enquanto ela não se conectasse verdadeiramente com as formas.

A geometria também pode funcionar como um recurso terapêutico valioso, segundo Carlos Solano. “Por meio dos nossos cinco sentidos nós absorvemos as informações do entorno, que por sua vez moldam as nossas águas corporais, influenciando nossos pensamentos, sentimentos e ações no mundo”, ele diz.  “E podemos expressar a geometria no formato de ambientes e de objetos, no uso de plantas e flores, e até de acessórios, e esses recursos nos cercam de estímulos que nos movimento pelos caminhos da vida com mais fluidez, proteção, amorosidade e consciência”, completa.

Caminhar pelas formas, por fim, pode nos revelar uma jornada de expansão de consciência que nos aproxima da compreensão do todo e também de nós mesmos. E nos trazer a compreensão de que há uma inteligência em tudo o que vemos no Universo.

A geometria sagrada também está presente nas ondas sonoras

Geometria sagrada no dia a dia

Ela está presente no cotidiano e nos chama a olhar o mundo com um sentimento de pertencimento. “E dentro da espiritualidade, do conhecimento de energia, da alquimia, podemos usar essas formas quando queremos ancorar determinada energia”, aponta a terapeuta Elenir Melo.

Abra-se para o sentir. Um caminho para compreender as formas é ir para além do que está sendo dito sobre elas. Você pode meditar em cima de um símbolo, por exemplo, e observar quais diálogos emergem.

Utilize a frequência das formas para trazer mais equilíbrio. “Quando sinto que estou flutuando demais, procuro olhar para um quadrado, porque vai me trazer para a Terra, para o momento presente. Se estou muito materialista, imagino, na minha cabeça, uma pirâmide, para me conectar com algo maior. Se me sinto separada do todo, recorro ao círculo, que traz acolhimento, pertencimento”, sugere Elenir. 

Observe as plantas e flores: a natureza conversa por meio das formas. Uma flor que realizou em si uma forma circular, o girassol com sua proporção áurea, a flor com pétalas triangulares, o antúrio que se expressa por meio da flecha. Flores como o kalanchoe, que traduzem as quatro direções e estações do planeta.

Contemple os monumentos, as catedrais, as grandes construções humanas que se valeram dessas formas – perceba como não foi um uso aleatório, mas pensado a partir da geometria.

Símbolos como a flor da vida, que fala sobre expansão de consciência, podem ser usados na forma de acessórios pessoais. “Sabemos que nosso corpo tem mais de 60% de água, e ela se molda a qualquer informação. Quando usamos algum símbolo sobre o corpo impregnamos as nossas águas corporais com essa mensagem. Podemos escolher a dedo as mensagens que podem nos ajudar”, diz Solano.

Também podemos borrifar no ambiente águas floridas ou águas de cheiro, que absorvem a geometria da flor, ou também usar a terapia floral, que concentra a vibração das flores para auxiliar no tratamento de diversos estados físicos e emocionais, como angústia, ansiedade, fadiga, etc.


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