Clean Beauty: Um Olhar Sustentável Sobre Cosméticos

A naturóloga Daiana Petry questiona a atual produção de cosméticos e reflete sobre a importância de migrar para fórmulas e formatos mais naturais, com impacto positivo na pele e no meio ambiente
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16.12.2021

Nos últimos anos houve uma demanda crescente em relação aos produtos naturais para corpo, rosto e cabelos, principalmente incentivada pela preocupação dos consumidores com o meio ambiente e o impacto que o consumo desses cosméticos podem causar ao planeta. Recentemente, um relatório da consultoria Grand View Research mostrou que a venda de cuidados pessoais orgânicos deverá atingir US$ 25,11 bilhões até 2025 (cerca de 136 bilhões de reais) – no Brasil, esse mercado já movimenta cerca de R$ 3 bilhões ao ano. Conhecido como “clean beauty”, são produtos com fórmulas limpas, que não prejudicam a pele e nem o meio ambiente.

Daiana Petry, naturóloga e fundadora da Harmonie Aromaterapia, foi uma das convidadas do Festival Path Amazônia deste ano. Em sua fala, Daiana contou como cosméticos e maquiagens são feitos e como podemos criar formulações minimalistas e multifuncionais –  um valioso caminho para a produção e consumo responsável.  “Eu acredito muito que a educação e a conscientização do que está por trás de uma embalagem gera não só um consumo consciente, mas também uma produção consciente”, reforça Daiana. 

A naturóloga alerta sobre a importância de observar tudo aquilo que aplicamos sobre a pele – que, em maior ou menor grau, tem uma capacidade de absorção desses produtos. Usar versões naturais e orgânicas pode, por exemplo, reduzir a irritação, ao contrário de produtos não orgânicos e não naturais. Além disso, há a vantagem de estarmos no Brasil e podermos de forma consciente aproveitar e reaproveitar os recursos naturais para a produção sustentável destes produtos.

Embalagens de cosméticos

O que você aplica na pele?

A partir do entendimento de como é importante saber o que aplicamos em nós e também qual é o impacto desses produtos no meio ambiente, podemos fazer escolhas mais conscientes e acertadas. Para Daiana, antes de comprar qualquer produto, vale observar qual a sua composição; se há um óleo mineral (derivado de petróleo com potencial nocivo), ou se é feito de um óleo vegetal; se ele vem a partir de uma produção brasileira ou se precisa ser importado; se utiliza nossos princípios ativos e valoriza nossa terra. Fórmulas clean beauty, em geral, devem ser livres de qualquer componente nocivo. “A partir desse conhecimento do que tem dentro daquele creme, fica mais fácil identificar se eu preciso de uma infinidade de cosméticos, ou se posso ter um, dois ou até três produtos.”, questiona.  Isso porque muitas vezes há vários cosméticos cuja função é a mesma – porém, com nomes diversos e um apelo de marketing diferente, estimulando um consumo desnecessário. 

Por isso, Daiana nos propõe questionar e refletir sobre a quantidade de produtos e a real necessidade que temos em consumir alguns deles. Para ela, podemos buscar um comportamento menos consumista e olhar mais para as possibilidades que um produto natural nos oferece. As empresas, por sua vez, poderiam criar formulações multifuncionais, evitando transformar um produto em três tipos diferentes, apenas para vender mais. Além disso, poderiam pensar em cosméticos mais acessíveis e sustentáveis, inclusive priorizando a nossa biodiversidade. 

“Por exemplo: o batom tem uma construção muito simples. Ele também é feito de cera e pode ser uma cera de carnaúba, uma cera de abelha, ou alguma outra cera… Eu sempre dou preferência para a cera de origem vegetal e a cera de carnaúba é brasileira, maravilhosa para construção de maquiagem, manteiga e óleo vegetal”, explica a naturóloga. 

Fotografia de rosto com máscara facial

As embalagens também têm impacto ambiental

Não são só as formulações dos cosméticos que podem prejudicar o meio ambiente. Além da escolha por cosméticos clean beauty, outro tema muito importante são as embalagens desses produtos – a grande maioria ainda é envasada em plásticos. Uma alternativa em alta, aponta Daiana, são os cosméticos e até as maquiagens em versão sólida, que não precisam ser embalados. Shampoos e condicionadores em barra são um bom exemplo do que já se tem feito para evitar a produção de lixo. 

A naturóloga também questiona se é realmente necessário apelar para embalagens cheias de enfeites e detalhes que, no final, só trarão impacto negativo ao meio ambiente. Será que a gente realmente precisa de uma embalagem cheia de enfeites ou podemos simplificar? “Isso tudo exige consciência do que eu estou utilizando. Além de gerar uma demanda também para a produção, requer, ainda, uma adaptação nas formas como eu estou acostumada a utilizar minha maquiagem”, complementa. 

Sim, adaptar-se a costumes já enraizados em nossa cultura pode parecer complicado para algumas pessoas. Mas mudanças que tragam melhorias para nós e para o planeta são mesmo bem-vindas. No final, é tudo uma questão de se adaptar e, claro, ganhar consciência de que nossas escolhas importam. “Quando temos consciência do que estamos utilizando, saímos da visão micro, e passo a observar, no macro, qual é a minha contribuição ao usar um determinado produto e quais as consequências que ele também gera”, sinaliza. Assim, podemos ressignificar o que é cuidar de si, cuidando, também, do nosso planeta.