Hoʻoponopono: A Terapia que Libera Padrões Negativos

Crenças limitantes e memórias tóxicas podem ser varridas da mente com a ajuda do método havaiano ancorado no perdão e na gratidão. Entenda como ele age e saiba como praticá-lo
8 minutos de leitura
12.02.2021

“Sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Sou grato”. Essas quatro afirmações parecem unidas por um poderoso imã. Estão sempre juntas em plaquinhas, camisetas, almofadas, canecas, chaveiros e afins. Mas, acredite, o motivo delas existirem é bem mais profundo do que qualquer moda nova era. Ele se chama Hoʻoponopono.

Originário do Havaí, Hoʻoponopono é um processo de cura ancestral que auxilia o praticante a eliminar padrões mentais tóxicos, crenças limitantes e memórias negativas. Uma limpeza interna que pode ser aprendida e praticada por qualquer pessoa e que se ancora em dois pilares fundamentais: arrependimento e perdão. É por isso que ho’o = causa, ponopono = perfeição pode significar como curar o que está doente ou arrumar o que está desarrumado.

“O Hoʻoponopono da Identidade Própria é utilizado para apagar as memórias, os dados (em forma de sofrimento, dor, angústia etc) que ficam se repetindo na mente e, consequentemente, nos comportamentos, trazendo caos para a vida da pessoa”, explica a psicóloga Regina Tavares, especializada em psicologia positiva e coaching, com mais de 12 anos de prática profissional com a ferramenta de cura havaiana. 

E o que acontece de tão efetivo para o caos se dissipar? Regina responde com base em seus atendimentos pessoais, conferências e workshops por todo o Brasil e no exterior. “Ao liberar o lixo mental, os padrões e programas negativos, restauramos a mente ao seu estado original de vazio, de pureza, o ‘Zero’. Dessa forma, acessamos a Paz interior e as Inspirações podem fluir trazendo soluções antes nunca imaginadas”.

Saber ancestral ao alcance de todos

Voltemos ao Havaí, onde tudo começou. Por muito tempo, essa depuração espiritual foi praticada exclusivamente pelos xamãs havaianos, os kahunas (guardiões do segredo). Somente na segunda metade do século passado, ela se expandiu para além do arquipélago graças à divulgação de uma descendente dos kahunas: a lapa’au (sacerdotisa) Morrnah Nalamaku Simeona.

Ela foi a responsável por adaptar a técnica para que pessoas comuns pudessem praticá-la individualmente, sem qualquer vínculo com um xamã. Após seu falecimento, em 1991, aos 78 anos de idade, um discípulo próximo a ela e bastante engajado na difusão desse conhecimento assumiu a dianteira: o psicólogo havaiano Dr. Ihaleakala Hew Len.

Agora que apresentei os dois mentores, fica mais fácil explicar por que as famosas quatro frases não são centrais para o método, apenas a forma reduzida de se praticar a técnica. Na verdade, elas não vieram de Morrnah Nalamaku Simeona e sim do Dr. Ihaleakala Hew Len. “São uma inteligente contribuição do Dr. Len, que aprendeu o método com a Morrnah. Como psicólogo que é (Phd em Psicologia), ele resumiu o processo nas quatro frases”, conta Regina. 

Na prática, ocorreu o seguinte: Mornah considerava quatro etapas a serem trilhadas pelo praticante. Algo como arrependimento, perdão, amor e gratidão. O Dr. Len adicionou a cada estágio a conjugação da primeira pessoa do singular, o que, segundo a psicóloga, traz total e intransferível responsabilidade pela própria limpeza: “Sinto muito pelo que criei e/ou atraí para a minha vida. Me perdoe (olhando para si mesmo, para a sua criança interior). Eu te amo (ainda acolhendo a sua própria criança interior). Sou grato, agradeço a oportunidade de libertar as memórias e a mim”.

Ferramentas se somam para purificar a mente

Forte, né? Mas não é só isso. O Hoʻoponopono abarca mais ferramentas, como Petições de Limpeza, Os 12 Passos, Prece de Purificação, Água Solar Azul, menção da palavra Havaí e até jujubas e pipocas. Todas elas auxiliam a faxina mental, considerando quatro realidades distintas: a mente subconsciente, a mente consciente, a mente supraconsciente e a inteligência divina.

É importante frisar que a limpeza se dá através do acesso às memórias que a criança interior carrega (Unihipili). Por meio da Petição ao Divino Criador, por exemplo, ocorre a liberação de uma energia que acessa o nosso subconsciente e consegue purificá-lo dos padrões mentais negativos. Então, o primeiro passo é a mente consciente (Uhane) fazer o pedido (Petição). “Para isso, ela tem que ter uma excelente relação com a criança (Unihipili), que é quem dá acesso à limpeza”, ressalta Regina. Finalmente, nossa mente supraconsciente (Aumakua) envia a petição ao Infinito e a energia flui para a limpeza.

Imagino que você já deve ter decifrado o porquê de o método incluir jujubas e pipocas, guloseimas adoradas pelas crianças, tanto as reais quanto as interiores. “É o que a ‘criança’ quer comer, não necessariamente o adulto em nós. Comer coisas assim ajuda a acessar a nossa criança interior, que é quem permite (ou não) a limpeza das memórias”, justifica a psicóloga.

Já a Água Solar Azul (garrafa de vidro azul com água exposta à luz do sol) auxilia na eliminação das toxinas do nosso corpo. “Assim como temos memória muscular, os padrões comportamentais também ficam gravados em nossas células. Quando ingerimos a Água Solar Azul, ela auxilia na liberação da energia negativa associada”, detalha a especialista. Por fim, considera-se a palavra Havaí como uma ferramenta de limpeza, pois significa sopro e água do Divino.

Como o Hoʻoponopono age na vida cotidiana

O método havaiano pode desencadear transformações diversas. Impossível listá-las. Então, vamos nos ater a dois casos para clarear a compreensão. 

Dora Salvador, de São Paulo, ouviu diariamente a meditação “Liberando Memórias” e, meses depois, buscou se aprofundar. “Em 2019, fiz os três Seminários com a Regina Tavares – Básico, Especial e Avançado – e faço todos os ciclos temáticos propostos”, conta. Segundo ela, a manifestação de cura por meio da prática é sutil e acontece de formas inesperadas.

“Estou aprendendo a conquistar uma liberdade interna maravilhosa através do amor e do perdão a mim mesma, na compreensão de que sou 100% responsável pelo o que penso e sinto e por minhas ações que ocorrem por conta disso”, revela. A relação com o Hoʻoponopono segue firme. “Hoje, se não fizer a meditação, limpeza de memórias e as petições, não consigo começar o meu dia. Esse trabalho interno resgatou meu amor próprio, minha autoestima.”

Odete Villela Ximenes, de Curitiba, também viu na ferramenta de cura o início de um caminho muito válido de ser percorrido. “Passei a me conhecer, me aceitar sem culpas e críticas, a deixar meus sentimentos fluírem, sentir alegria sem me punir, ser mais inteira, tendo em mente que o desenvolvimento precisa ser contínuo, sempre limpando, limpando”, diz.

Para ela, a questão financeira foi bastante visível. “Minhas atitudes eram intempestivas, gastava muito. Passei a usar o Ho’Oponopono e a transformação foi acontecendo. É difícil? Sim. Mas somos 100% responsáveis por nossos atos”, admite.

Sim, a relação de Odete com sua Criança é das melhores. Elas se divertem bastante juntas. Mas isso teve que ser aprendido, aprimorado. “Também compreendi a importância de aceitar as pessoas como são, sem crítica, entendendo que cada um tem a sua hora. É uma vida bem mais tranquila e permeada pela gratidão”, garante.

Hoʻoponopono deve ser praticado com seriedade e cuidado

Saiba que existem níveis de conhecimento e práticas do Hoʻoponopono. Regina costuma dizer que praticá-lo é simples, mas não fácil. Isso porque pode ser complicado para algumas pessoas lidar com memórias e padrões familiares ancestrais que emergem para serem purificados. “Nem todos estão realmente preparados. Por isso, recomendo sempre o acompanhamento do psicólogo ou terapeuta do praticante, para auxiliá-lo a lidar com as somatizações físicas e emocionais, bem como ressignificar conceitos e compreender conteúdos. Mas, para a maioria, não há problema em praticar sozinho”, assegura a especialista.

O melhor caminho de aprendizado é participar de um curso ou seminário vivencial, conduzido por profissionais experientes e certificados, comprometidos em transmitir o processo original de transformação interna, sem distorções do tipo “limpe sua mente e fique milionário”. Infelizmente, esse tipo de marketing é alardeado por aí. Fique atento.

Como você deve ter notado, não se compreende o Hoʻoponopono com o intelecto. Por isso, não permita que a mente controladora boicote o que pode ser um lindo renascimento baseado na entrega à Inteligência Superior. “Somente através da entrega à mente supraconsciente, conectada com a Fonte Maior de todas as coisas, se consegue acessar a Paz do Eu, o Zero. Nesse espaço sagrado, dentro de cada um de nós, recebemos as inspirações divinas que trazem soluções para todas as áreas de nossas vidas”, sintetiza Regina. 

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