Prana: A Energia que Sustenta a Vida

O yoga promove a assimilação adequada da energia vital por meio dos pranayamas. Entenda como essa prática traz mais saúde física, mental e emocional.
4 minutos de leitura
11.08.2020

Ele está em todo lugar. Não pode ser visto, apenas sentido. Sem ele, não estaríamos aqui. Faz ideia do que seja? Estamos falando do prana, a energia que permite a vida aos seres e que é de fundamental importância para o yoga.

“No yoga, temos uma variedade muito grande de práticas. Quase todas estão relacionadas à assimilação e estabilidade do prana, dessa força vital”, esclarece o professor de yoga Diego Koury, alinhado ao mestre indiano Krishnamachary (1888-1989).

O praṇa é sutil; porém, seus efeitos não poderiam ser mais concretos. Ele faz com que o corpo permaneça vivo e pode ser assimilado de diferentes formas: por meio dos alimentos, dos ambientes e de práticas de movimentação da respiração, os pranayamas, que compreendem diversas técnicas.

“Por essas vias é possível fazer com que essa energia seja absorvida no nosso sistema, enriquecendo nossa saúde, nossos sentidos e a mente como um todo”, afirma Diego.

O prana refina a sensibilidade e a profundidade da mente

Ele conta que os iogues antigos acreditavam que a mente, a respiração e o prana conversam de um jeito bem íntimo. Da seguinte forma: quando a respiração se torna profunda e sutil, ela favorece a absorção mais adequada do prana. E essas qualidades da respiração – profunda e sutil – acabam sendo assimiladas, também, pela mente. 

Pois está tudo interligado nesta sábia engrenagem. Logo, se respiramos mal, seja por ansiedade, seja por sedentarismo ou desatenção, absorvemos mal o prana. E, claro, colhemos os efeitos negativos dessa negligência: menor disposição física, menos clareza mental.

A prática de pranayamas tem como suporte as posturas físicas (ásanas) pois, segundo Diego, existe uma hierarquia dentro das práticas. Ele explica melhor: “Os pranayamas merecem uma atenção e uma dedicação ainda maiores se comparadas aos ásanas, justamente porque eles promovem a nutrição da energia vital. Isso traz à mente uma sensibilidade e uma profundidade muito especiais”.

Existe nesse processo uma gradação que precisa ser respeitada para se evitar danos causados pela respiração inadequada. No início, a prática é mais física, com os ásanas, porque primeiro temos que lidar com os músculos, o esqueleto, os lados do corpo. Depois ela vai ficando mais sutil a ponto de favorecer o processo respiratório para que a respiração aconteça de maneira mais profunda e para que isso influencie a mente. 

“É por isso que a prática de pranayamas é, segundo as escrituras, uma das mais eficazes do yoga”, destaca o professor, que ainda faz uma ressalva: “Pranayama costuma ser traduzido como exercício respiratório, mas é muito mais do que isso. A intenção da prática é movimentar essa energia que também está no ar para abastecer, nutrir o nosso sistema, dar satisfação aos sentidos e alimentar a mente”.

Nossas emoções também são afetadas pela prática de pranayamas

Não se trata apenas de um circuito mecânico. As emoções que habitam o mundo interior também são afetadas por esse atento trabalho respiratório. “Através da respiração nós também colocamos para fora o ar residual, ou seja, o resíduo daquilo que nos alimentou, o prana, além de toda a carga emocional. Porque, segundo o yoga, a respiração também é um processo de purificação interna, de purificação da mente”, detalha Diego.

Ele cerca o assunto com muito cuidado – uma vez que a respiração está ligada aos nervos e ao metabolismo. Em termos concretos, isso significa que os pranayamas promovem o relaxamento do sistema nervoso central e influenciam os anabolismos e o catabolismo do corpo. Portanto, precisam ser praticados com precaução e bastante cuidado.

“Tradicionalmente, as técnicas de pranayamas só são ensinadas presencialmente, após o praticante ter adquirido a devida atenção, necessária para realizar algo tão delicado, além de manter uma dieta saudável e moderada. Sem esses pré-requisitos, a prática pode não gerar benefícios ou até mesmo ser ruim para o praticante”, alerta o professor.

Assim, o yoga reforça seu convite para que levemos o estado de presença para as práticas e atividades que permeiam nossos dias. Quanto mais conscientes e cuidadosos formos, mais vida encontraremos em nós e em tudo ao redor.

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