Yoga: Prática para o Corpo e o Espírito

A prática traz benefícios para além do corpo físico, nos coloca em um contato mais sutil com a própria essência e apresenta mudanças profundas no estilo de vida de cada um
6 minutos de leitura

A vontade inicial era a de colocar o corpo em ação; melhorar a postura, aliviar algumas dores, ou, mesmo, cultivar a prática de alguma atividade física na rotina. Mas, ao longo do tempo, o yoga nos revela uma dimensão muito mais profunda de quem somos. Não só corpo, mas mente e espírito se apresentam entre as posturas – chamadas de ásanas –, as meditações e as respirações, conhecidas como pranayamas.

Quem começa a prática do yoga, explica a professora Ana Paula Cavalcanti, se torna mais consciente de si. “A medida em que a pessoa se aprofunda, além da melhoria do bem-estar físico, também percebe um refinamento dos pensamentos, da forma de respirar, e da percepção de si mesmo”, diz Ana, proprietária do Leela Yoga, em São Paulo.

Yoga é mais que posturas de equilíbrio

O corpo, dentro da prática, é como um primeiro contato que temos conosco. É a percepção mais material de quem somos. Por isso, a maior parte da aula é composta pelos ásanas. Mas não só isso.

“A pessoa percebe a sua falta de força e de alongamento, mexe com músculos que nem conhecia, experimenta o desafio de sustentar uma postura de equilíbrio…”, observa Ana Paula. 

Depois desse ganho de consciência corporal, o que acontece é uma percepção mais sutil da mente, que passa a ser observadora de seus próprios pensamentos. E aí, de repente, percebemos: “eu não sou esse pensamento, ele me atravessa, mas não sou eu”.

“A gente se identifica com o corpo e acha que é ele quem sustenta tudo. Mas o que sustenta essa matéria é o espírito, o prana, a nossa energia vital. E isso é algo que não pode ser visto ou tocado. Então, toda a trajetória do yoga é esse caminho para dentro. Essa descoberta de que a mente e o corpo estão a serviço desse espírito”, observa.

 Yoga como jornada interior

Por isso, em um contexto cultural que privilegia a estética, olhar para o yoga como uma prática apenas de ordem física é subaproveitar todo o caminho que esse conhecimento tão antigo deseja nos apresentar. Ana Paula ressalta, então, que as aulas devem contemplar, além dos ásanas, os pranayamas, momentos de meditação e a filosofia do yoga.

O chamado é para observar e silenciar um pouco os estímulos externos e refinar a nossa percepção sensorial, já que é rara uma pausa no dia a dia para, espontaneamente, olhar para dentro. 

Deixar uma rotina com tantas solicitações e demandas e se alinhar com uma presença interna que tem mais equilíbrio para lidar com o mundo nos traz um novo jeito de olhar para a vida. 

“O bonito é ver as transformações que acontecem com cada um. Muitos reavaliam relacionamentos, trabalho, a relação consigo. O yoga chama para esse conhecimento e pessoas auto-realizadas são pessoas que impactam o mundo positivamente”, reflete.

Qual método de yoga escolher?

Quem resolve se inscrever em uma modalidade pode ficar confuso entre tantas a escolher. Hatha é a mais tradicional, onde há maior permanência nas posturas. E no século passado surgiram outras modalidades como iyengar, vinyasa e ashtanga.

“Iyengar está mais atenta ao alinhamento, é uma prática bem racional. Vinyasa é mais dinâmica, encadeia uma postura na outra no ritmo da respiração. Ashtanga tem séries fixas e sequenciais, e também mais vigorosas”, explica Ana Paula, que ressalta a necessidade de nos atentarmos à condução de cada modalidade.

Isso porque, em sociedades tão competitivas como a nossa, a má orientação de um método pode fazer do yoga uma ferramenta de superação, de conquistas e de um esforço em busca de uma validação pessoal. “Mas yoga não é se superar. Você adquire avanços, claro, mas com olhar de neutralidade. Sem sobrepor o ego acima de tudo”.

Boa parte das pessoas começam pelo hatha, o mais popular, e um bom caminho é experimentar aquela que você mais sente afinidade. Sobretudo, observar como ela reverbera em sua vida em níveis mais profundos. Não há escolha ruim ou tempo perdido; tudo pode ser um aprendizado para uma nova escolha.

A prática do yoga no dia a dia

Quanto mais você conhecer seu corpo e se conectar com os movimentos de que gosta, mais fácil será colocar na rotina uma mini prática autônoma, em sua própria casa. Toda a prática envolve o alongamento da coluna, e a Surya Namaskar (Saudação ao Sol), por exemplo, é uma sequência de posturas bem indicada para começar o dia.

“Em 15 minutos, é possível fazer alguns movimentos simples de alongamento, duas ou três saudações ao sol, um pranayama (respiração) e encerrar com a savasana (postura de relaxamento)”, sugere Ana Paula. 

Por fim, para além de qual modalidade ou tempo a que você se dedicar, o mais valioso pode ser perceber as mudanças profundas que o yoga pode trazer. Sobretudo, a intenção de que cada um reconheça, em si, a sua própria centelha divina.


Baixe o pôster, viva com harmonia

A Saudação ao Sol é uma sequência de posturas que envolve alongamento e ajuda a trazer mais equilíbrio físico e mental. Carol Jourdan, instrutora de yoga da Sri Sri School of Yoga da Arte de Viver, aponta a série e os mantras que podem ser mentalizados durante a prática.

Baixe o pôster, salve consigo ou coloque em um espaço tranquilo para a sua prática. Desejamos uma jornada de encontro com o divino que há em você.

Baixar PDF (para imprimir)
Baixar JPG (para compartilhar no Whatsapp)  ▲