Mudar um Mau Hábito é Possível

Investigar as razões por trás dos hábitos e trazer autocompaixão para o processo de mudança ajuda a conquistar novos comportamentos

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O desejo de parar de fumar é antigo. Inúmeras tentativas e inúmeras vezes em que o plano não seguiu por muito tempo e mais um maço foi aberto. Ou a vontade de trazer para a rotina hábitos alimentares mais saudáveis, comida fresca, mas o que dominou a mesa foi o fast food. Ou mesmo aquela voz interna que diz para parar de procrastinar mas, no dia a dia, as tarefas se acumularam mais uma vez.

O que queremos contar antes de qualquer pessoa se sentir um fracasso por não ser capaz de trazer para a vida as mudanças de que deseja é que nem tudo é questão de “força de vontade”.

Existem motivos profundos e inconscientes que se tornam mais fortes do que a nossa boa vontade.  A cada vez que falhamos em nossas tentativas de fazer diferente, podemos deixar para trás a vitimização e a culpa e, ao contrário, pegar uma lupa para enxergar mais de perto as razões que nos impedem de conquistar um novo hábito.

É sobre uma mudança possível e, sobretudo, consistente, que vamos tratar aqui, juntos, para você se sentir capaz de ir além na busca por uma mudança verdadeira.

Investigação pessoal de seus hábitos

Fazer dietas só ajuda a engordar. Foi com essa afirmação que a nutricionista Sophie Deram causou uma revolução no universo dos regimes alimentares ao publicar a primeira edição, em 2014, do livro O Peso das Dietas (ed. Sextante).

Segundo ela, as dietas restritivas engordam porque o corpo fica estressado: há um aumento do apetite e uma diminuição do metabolismo para preservar a reserva de energia do corpo. Como, então, mudar de hábito?

“O caminho da relação tranquila com a comida e com o corpo vêm por meio do autoconhecimento. As pessoas precisam voltar a se conhecer e a se perguntar: ‘Será que eu estou com fome?’. ‘Fome de que?’. ‘Será que é realmente fome ou é tristeza?’. ‘Por que eu quero esse chocolate?’”, esclarece a nutricionista, também doutora em obesidade infantil.

O que Sophie quer dizer – e que podemos levar para outras tantas questões da vida – é que é preciso confiar num motivo mais profundo enraizado em nossos comportamentos. E que tentar mudar um hábito sem entender como esse comportamento se firmou não nos trará resultados permanentes.

Conhecer a origem para fazer a mudança

Quem tenta, tenta, e não consegue, sente como se uma força contrária interna impedisse a transformação e, ainda por cima, viesse acompanhada de culpa, decepção, frustração e tristeza.

Segundo Zeca Catão, psicólogo e psicanalista, isso ocorre porque os hábitos estão enraizados em lugares para fora da topografia que uma pessoa pode alcançar sobre si. Daí a dificuldade em alterá-los. 

“Eu vou lutar com algo meu que está para além da minha possibilidade de saber sobre mim mesmo. Por isso, o caminho é o autoconhecimento e o processo terapêutico pode ajudar nesse reconhecimento sobre si”, diz.

Traga os motivos para a consciência

Saber que um mau hábito causa sofrimento ou que é preciso mudar um comportamento não é suficiente para que algo aconteça porque, como Sigmund Freud supôs, existe o inconsciente.

Lá estão guardados sentimentos, emoções, desejos e pensamentos que precisaram ser reprimidos, seja por questões religiosas, culturais, sociais ou outras.  “Por isso, mesmo com muita força de vontade e persistência, ainda assim é difícil mudar um hábito”, explica a psicóloga junguiana Rosangela Teixeira.

Se não bastasse todo esse poder, o inconsciente resiste em fazer mudanças porque não aprecia alterar a sua forma de trabalhar.

“Hábitos não gostam de aventuras. Mudá-los exige passos ousados rumo ao desconhecido, ao inconsciente”, observa Rosângela, que sugere olharmos para nossos medos, nossa solidão, a sensação de desamparo, carência e vazios internos.

O mau hábito um dia foi útil

É bastante possível que um mau hábito tenha se instalado porque, naquele momento, ele nos trouxe alguma proteção ou conforto. O cigarro que nos “ajudou” a ser socialmente aceitos, a comida ruim que trouxe praticidade num dia difícil… Talvez as necessidades já não sejam mais as mesmas mas os comportamentos permaneceram. 

“O abandono vivido na infância pode, por exemplo, voltar a ser repetido nas relações atuais, seja no casamento ou nas relações sociais. E a pessoa não faz nenhuma associação desse abandono original com a repetição ao longo de uma vida”, diz Zeca.

Por mais que incorrer no mesmo erro traga sofrimento e uma grande decepção consigo mesmo, podemos aproveitar o convite e começar a iluminar os bastidores desses comportamentos.

“O que parece ser um ‘castigo’ também é uma chave de possibilidade, de me deixar atento que eu quero mudar. A repetição me recorda sobre o meu desejo primário que é fazer uma mudança”, alerta Zeca.

Uma dose de autocompaixão ajuda

É claro que, no dia a dia, cada repetição indesejada pode trazer um sentimento de derrota. Aí, podemos chamar a autocompaixão para nos preparar para essa realidade.

Em vez de olhar para um deslize como “pronto, tudo está arruinado”, é possível um olhar mais gentil que diz “eu observo por que isso aconteceu e, na próxima vez, eu estarei mais atento aos gatilhos a que eu me rendi”.

É esse olhar mais generoso com a nossa própria história que nos coloca fortalecidos diante de uma caminhada mais possível rumo a um estilo de vida diferente.

Uma dose de autocompaixão ajuda a manter viva a vontade de mudar: é esse olhar mais generoso com a nossa própria história que nos coloca fortalecidos a construir um estilo de vida diferente

Fique atento aos gatilhos dos maus hábitos

No dia a dia, reparar nas situações a que nos colocamos e evitar os gatilhos que nos levam a um hábito ruim também pode ser um caminho.

Assim, se sei que para praticar uma atividade física eu preciso acordar disposto, dormir mais cedo pode trazer alguma ajuda. Nos manter longe das situações que fatalmente provocam recaídas podem ser uma dose de ânimo durante a investigação desse processo.

Vale lembra que os maus hábitos que nos acompanham há tanto tempo são como um relacionamento que já não serve mais. Na hora de romper com eles, é possível agradecer aos aprendizados nos trouxeram de bom para aquele momento, aceitar que a relação acabou e imaginar um futuro com muito mais alegria em uma nova companhia.  


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Mudar um hábito ruim não é questão de força de vontade. É preciso investigar os motivos que nos levaram até ele e também cultivar uma dose de autocompaixão para se manter motivado a fazer diferente.

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