Por que Ler o Rótulo dos Cosméticos

Criar o hábito de ler os rótulos ajuda a identificar possíveis substâncias danosas e a diferenciar quando um produto é vegano, natural, orgânico…
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Você tem o hábito de olhar as letras pequenas das embalagens dos produtos de beleza e higiene pessoal que vai comprar? Pois este hábito é tão importante quanto ler os rótulos dos alimentos. Dentro de um hidratante ou condicionador, por exemplo, pode existir uma boa quantidade de ingredientes que são tóxicos tanto para a saúde quanto para o meio ambiente. E analizar o rótulo dos cosméticos faz toda a diferença.

É o caso dos petrolatos, componentes derivados de petróleo, por exemplo. Mas se fosse só virar a parte de trás do produto e dar de cara com o termo “petrolatos” para desistir da compra, estava fácil. É que são nomes complicados que, muitas vezes, passam despercebidos, como a presença de óleo mineral (mineral oil) e a Parafina (Parafinum Liquidum).

Decifrando um rótulo de cosméticos

A primeira dica ao ler o rótulo dos cosméticos é que os ingredientes são listados da porcentagem mais alta para a mais baixa (mas os ingredientes abaixo de 1% podem ser listados em qualquer ordem.)  Vale redobrar a atenção para perceber a existência das substâncias abaixo: 

Petrolatos: o petrolatum é obtido pela desparafinação do petróleo bruto. É, literalmente, uma geleia de petróleo. Ingrediente barato, dá emoliência a produtos para os cabelos, loções e hidratantes corporais, além balm labial e até protetor solar. Estudos apontam que a substância pode aumentar risco de doenças e dermatites, além de ser suspeita de causar câncer. E os petrolatos também têm impacto ambiental, porque não são solúveis em água, nem biodegradáveis, compondo uma poluição invisível que agride a vida marinha. No rótulo dos cosméticos, podem aparecer como Petrolatum (Petrolato), Mineral oil (Óleo Mineral), Petroleum oil (Petróleo), Petroleum Jelly, Mineral Jelly, Liquid Paraffin (Parafina Líquida) e Isododecane.

Sulfato: o Lauril Sulfato de Sódio (SLS) é o que dá espuma aos produtos. O problema é que, a longo prazo, pode tornar a pele mais ressecada e, com o tempo mais irritada ou inflamada.

Parabenos: eles podem estar presentes em filtros solares, loções, xampus e até maquiagens. Eles funcionam como um conservante, ajudando a prolongar a validade dos produtos. E alguns estudos já apontam uma relação do uso desse elementos com o aumento para o risco de câncer. Podem aparecer no rótulo com os seguintes nomes: metilparabeno, propilparabeno, butilparabeno e etilparabeno.

Ftalatos: esses compostos químicos são usados em muitos cosméticos para estabilizar cores, perfumes, texturas, além de estarem presentes em embalagens plásticas  e produtos de limpeza. A absorção dessa substância acontece tanto pela pele quanto pela inalação. Ademais, os ftalatos funcionam como hormônios leves, e podem influenciar a capacidade reprodutiva de homens e mulheres, além de serem possivelmente cancerígenos e relacionados à depressão em idosos. Nos rótulos, podem aparecer como phthalate, DEP, DBP ou DEHP.

Polietienoglicol: é um ingrediente que ajuda na penetração de outros ativos e substâncias na pele. O problema é que ele pode ser contaminado com outras substâncias com potencial cancerígeno, com o óxido de etileno.

Chumbo: trata-se de um metal pesado, um químico tóxico e bioacumulativo. Nocivo ao sistema respiratório e à aprendizagem, pode influenciar a desregulação hormonal em homens e mulheres. Além disso, é uma substância também poluidora do ar, prejudicando o meio ambiente. O chumbo pode estar presente em cosméticos como batom, lápis de olho, pasta de dente, espuma de barbear, hidratantes. No rótulo dos cosméticos, pode vir escrito assim: Lead acetate, chromium, thimerosal, hydrogenated cotton seed oil, sodium hexametaphosphate.

O aplicativo Skin Deep® Cosmetics é uma boa fonte sobre segurança em produtos de cuidados pessoais. Tem um banco de dados com os cosméticos mais populares do mundo, listando quais são seus ingredientes mais ou menos tóxicos.

De olho nos “produtos naturais” no rótulo dos cosméticos

Também vale alertar que nem todo produto que parece natural é, de fato, um item oriundo de produção consciente. Neste caso, é apenas uma manobra da indústria querendo lucrar ao parecer mais saudável do que é – a prática já é conhecida como “greenwashing”, algo como lavagem verde, em inglês. 

Ou seja, o fato de um produto ter um rótulo com elementos que fazem referência à natureza, como ilustrações de flores e ervas, ou  termos como “essência de lavanda”, aroma de camomila, não quer dizer nada. Por isso, a sua atenção aos rótulo dos cosméticos é que fará a diferença.

Essência, por exemplo, é um ingrediente sintético que pode ser nocivo e gerar dermatites e alergias. E é usado para imitar óleos essenciais, que por sua vez são totalmente naturais e repletos de benefícios.

Para facilitar, muitas marcas têm investido em selos que identificam ações de sustentabilidade. O Eu reciclo, por exemplo, conecta marcas de bens de consumo com recicladores; e certifica que a empresa destina recursos à cadeia de reciclagem, por meio da compensação ambiental.

Veganos, orgânicos, naturais: não é tudo a mesma coisa

Não existe uma regulamentação para cosméticos naturais por aqui, mas alguns selos nacionais e internacionais certificam marcas após um criterioso processo de análise. Repare se elas estão presentes no rótulo dos cosméticos que você compra:

Cruelty-free: é aquele produto não testado em animais (desde ingredientes de uma fórmula até o próprio produto final). Marcas costumam avisar no rótulo e algumas até informam por meio de selos como os dois mais populares:

O Leaping Bunny (da organização britânica Cruelty Free International).

E o Cruelty-Free Peta, criado pelo programa Beauty Without Bunnies do Peta (People for the Ethical Treatment of Animals)

Vegano: além de não ter passado por testes em animais em nenhuma etapa do desenvolvimento, tampouco no produto final, ele também não contém nenhum tipo de matéria-prima animal:

No Brasil, é muito popular o Certificado SVB Vegano, certificação nacional para produtos livres de ingredientes de origem animal.

Além do americano Certified Vegan.

Natural e orgânico: também há diferenças

De acordo com certificadoras de produtos deste ramo, que avaliam as fórmulas criteriosamente, como a nacional IBD (Instituto Biodinâmico), o termo natural se aplica às fórmulas que contenham 95% de ingredientes naturais e 5% de ingredientes orgânicos.

Já segundo os parâmetros da francesa Ecocert, por exemplo, um cosmético orgânico é aquele que possui, no mínimo, 95% de matérias-primas orgânicas (sem químicas, como agrotóxicos, antes e durante o cultivo) em relação à quantidade total de matérias-primas utilizadas na formulação.

Aqui no Brasil há também o selo Orgânico do Brasil.

Vale lembrar que muitas marcas conscientes e que investem em ingredientes orgânicos e naturais podem não ter selos. Muitas trazem os ingredientes orgânicos especificando a porcentagem de cada um, por exemplo. 

A melhor maneira de saber exatamente o que está na fórmula é verificar a lista de ingredientes e perguntar à marca caso fique alguma dúvida. Embora mudar os hábitos num primeiro momento pareça difícil, aos poucos você se acostuma e se torna mais ligeiro e atento em suas escolhas — e percebe, na pele, a diferença que elas fazem. 

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