Por que Não Comprar um Novo Jeans

A indústria do denim, o material mais popular da moda, é uma das mais poluentes do mundo – mas podemos reinventar esse consumo
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A indústria da moda é uma das mais poluentes e menos sustentáveis do mundo. Um mercado capitalista movido a um consumo desenfreado: a cada temporada, novas tendências incitando novas compras. Um ciclo que não acaba nunca. E, embora seja atemporal e resistente, o jeans é um dos materiais do vestuário que mais impacta este cenário de degradação ambiental.

Tudo começa na produção do denim, um tecido de algodão que é a base do jeans. É que ele consome grandes quantidades de água, além de energia. Sem contar, por exemplo, corantes e outros componentes químicos usados na produção das peças. “Para uma única calça jeans, gasta-se mais de três mil e quinhentos litros de água”, afirma a consultora de moda e fundadora do Projeto Gaveta, Giovanna Nader.

Contaminação da nossa terra

“A moda é um mercado que te incita à compra o tempo todo. E o jeans não escapa disso. Sua produção passa por um processo químico, cujos componentes vão parar nas águas fluviais, dos rios. É tóxico tanto para quem trabalha pelas várias etapas deste processo quanto para a o meio ambiente a curto e longo prazo”, explica Giovanna.

Além disso, a logística de distribuição e entrega também corroboram com o contexto, já que as grandes fábricas de jeans se encontram na Ásia, uma espécie de fábrica do mundo, e percorrem milhares de quilômetros para chegar a mercados em todo o globo.

Os impactos da Industria do jeans no meio ambiente

Da China ao Brasil

O documentário canadense RiverBlue  faz uma viagem por rios em diversos países para mostrar o impacto causado pelo processo de tingimento de tecidos, lavanderias de jeans e curtumes de couro. Mostra-se, por exemplo, que são identificados cinco metais pesados (cádmio, cromo, mercúrio, chumbo e cobre) no rio que corta Xintang, a cidade chinesa conhecida como a capital mundial de fabricação de jeans. Esses metais pesados são neurotóxicos e cancerígenos, perturbando o sistema endócrino e causando câncer em diferentes órgãos. Ao preço da saúde da população e da destruição de suas fontes de água, a China se torna a “Fábrica do Mundo”.

No Brasil, a cidade de Toritama, no Agreste Setentrional de Pernambuco, a 164 km de Recife, é responsável por cerca de 16% da produção do jeans no Brasil.  Toritama foi tema do longa nacional Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar, no qual o diretor, Marcelo Gomes, acompanha a intensa rotina de fábricas de garagem em torno da produção e confecção de jeans, além da precarização do trabalho de quem integra essa mão-de-obra.

Mas até os anos 1980, Toritama era uma típica cidade pequena e rural, vivendo de pequenas criações de gado e plantações. Nesta época, com a chegada do jeans, como mostra o filme, cada pequena casa se transformou em fabriquetas e lavanderias para beneficiamento do jeans.

O documentário retrata o trabalho fabril da pequena cidade que hoje é chamada de “capital do jeans”. Parte da população sai das fábricas em busca de uma liberdade ilusória: compram máquinas e passam a concorrer com vizinhos, em jornadas de mais de 14 horas diárias e um barulho ensurdecedor das máquinas que não cessam. O Carnaval tem papel importante porque é o único momento em que as máquinas se desligam e os moradores e trabalhadores se dão um descanso. A cidade, então, fica vazia.

Faça um uso consciente do jeans

Além de todo o impacto do processo de produção, há ainda o impacto do pós-consumo. Ou seja, peças boas que são descartadas quando ainda poderiam viver em outros guarda-roupas. O jeans é um material atemporal, para todos os estilos e diversas ocasiões. Não à toa, demoram a sair de moda. Pois é aí que mora parte da solução. “O primeiro passo é não comprar jeans novo. Uma roupa jeans é muito durável. E ninguém precisa de 15 peças”, diz Giovanna. 

Mas, se a vontade de comprar é muita, ela aconselha a procurar peças de segunda mão. E, no mesmo contexto, aderir à customização. “Nunca devemos jogar uma peça jeans fora. Uma calça pode virar short, carteira…Uma jaqueta se transforma em um colete, almofada e até capa de abajur, por exemplo. A criatividade é essencial neste caso”, afirma. ▲

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