A Pandemia é um Chamado à Solidariedade

Não existimos uns sem os outros. Mais do que nunca, é essencial trazer para a vida a colaboração e o olhar de que a mudança já chegou
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03.04.2020

Por vias inesperadas, o Covid-19 têm colocado em pauta questões para as quais cientistas, ambientalistas, economistas, filósofos, sociólogos, psicólogos, antropólogos, religiosos, astrólogos têm nos alertado desde que o mundo é mundo. A pandemia tornou aguda a compreensão de que toda a sociedade – governos, cidadão, mídia, empresas, religiosos – precisa cooperar para preservar a vida.

Ao redor do globo, esse assunto tem permeado notícias, memes, posts, telefonemas, artigos e declarações oficiais. Como a do Alto Representante da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, Miguel Moratinos, e do Conselheiro Especial da ONU para Prevenção do Genocídio, Adama Diengm, em comunicado sobre a doença: “nossas vidas estão interconectadas, nossa sobrevivência depende de apoio recíproco”.

Só chegamos até aqui porque há solidariedade

Segundo o mestre em psicologia social, Franklin Marques, crises como a atual despertam em nós aspectos que nos tornaram humanos, como a solidariedade e a empatia. Essas características é que são essenciais para que a gente possa viver em grupo.

“A emergência torna mais evidente a necessidade de nos voltarmos para o social e também a compreensão de que os pontos a serem trabalhados na sociedade passam pelo olhar o outro. Nesses momentos, muitos percebem que precisam se rever para garantir a manutenção da vida”, afirma.

Apesar de essas fichas não caírem para todos, são muitas as iniciativas cidadãs voluntárias, desde cesta básica para desempregados e vídeos com dicas até apoio psicológico e doações anônimas a comunidades necessitadas. No prédio onde moro, a solidariedade começou com a pergunta: e se os funcionários se contaminarem por nossa causa? E se alguém morrer por ter que vir aqui todo dia?

Cerca de vinte pessoas, entre 83 condôminos, se mobilizaram para que essas hipóteses não se tornassem realidade. Conseguimos dar férias a quase toda a equipe, menos a dois vigias, cujas escalas noturnas foram mudadas para dia sim, dia não. E eles vêm de transporte particular, pago pelo condomínio. Tirando essa função, os 21 voluntários cuidam de todo o restante: em turnos curtos e agendados, faxinamos, ficamos na guarita, cuidamos do jardim, fazemos a profilaxia dos elevadores, coletamos o lixo e cuidamos dos idosos.

Há muita ajuda Brasil afora

Assim como nós, vizinhos de várias partes do Brasil têm se organizado para se colocar no lugar do outro. O site Vizinho do Bem foi criado para conectar pessoas dispostas a ajudar quem está no grupo de risco, fazendo compras de mantimentos e remédios, e levando o cachorro para passear, por exemplo. Esse também é o objetivo do aplicativo Tem Açúcar, com mais de 200 mil usuários (a maioria no estado de São Paulo) que oferecem e buscam gentilezas durante a pandemia.

No Rio de Janeiro, o que tocou algumas pessoas foi a preocupação com os catadores de recicláveis: como vão sobreviver em quarentena se um dia sem trabalho pode deixá-los sem comida? Cooperativas e amigos criaram a vaquinha Catadores em Quarentena, para garantir alimentação e sustento a essas pessoas. Os doadores ganham recompensas, como pôsteres, camisetas, vinhos e cursos online de sustentabilidade do YAM com a expert Aline Matulja.

Também é possível doar itens de higiene para que os catadores possam trabalhar de forma mais segura. Basta chamá-los diretamente pelo app Cataki, para coletar o reciclável em sua residência, pagando cerca de R$ 15, mais um item de higiene, em garrafinha PET.

Em Pernambuco, gente preocupada com o abastecimento de quem mais precisa teve uma ótima ideia e criou a campanha #EstoqueSolidário. A proposta é dar itens dentro da validade, que, se não forem consumidos durante o período de isolamento, serão descartados. Os beneficiados são cidadãos mais necessitados e instituições, como creches, hospitais, escolas e abrigos.

Ficou com vontade de ajudar e não sabe como? A plataforma de recrutamento Voluntário Covid-19 Brasil reúne associações, ONGs e empresas que buscam profissionais dispostos a colaborar no combate ao vírus.

Na foto, campanha de financiamento coletivo do projeto Pimp My Carroça, que busca garantir uma renda mínima aos catadores autônomos cadastrados no aplicativo Cataki / Foto: Pimp My Carroça

A crise precisa nos levar à mudança

Além de atenuar as consequências da crise para alguns, essas atitudes demonstram que podemos orientar a superação da pandemia em direção a um mundo mais sustentável, coeso, inclusivo e pacífico. E é responsabilidade de todos ser parte desse processo, enxergando essa necessidade de mudança tão urgente.

Para o filósofo australiano Roman Krznaric, autor do livro Empathy – A Handbook for Revolution, a empatia é um antídoto e tem a capacidade gerar uma grande mudança social. Ele acredita que a empatia pode criar uma revolução necessária nas relações humanas. Segundo Krznaric, o século 20 foi a idade da introspecção, de nos entendermos olhando para dentro. Agora, é hora de equilibrar a autorreflexão com a “outrospecção”: descobrir quem você é e como é viver fora de si – para descobrir a vida de outras pessoas e culturas. O chamado já está aí. ▲

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