A Juventude Feminina em Defesa da Terra

No último perfil do #MêsdaMulher, falamos sobre Paloma Costa, ativista ambiental conectada às causas indígenas e defensora de que as mulheres podem resistir e transformar este mundo
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23.03.2020

“Muitos dos meus melhores amigos são pessoas indígenas”, conta a ativista do meio ambiente, Paloma Costa. Com esses povos, a jovem brasiliense de 27 anos aprendeu a escutar mais – a si mesma, aos mais velhos e ao seu entorno – e, assim, vislumbrar um modo de vida conectado ao meio ambiente e à ancestralidade. 

“Os indígenas, como a terra deles, a vida e a natureza, fazem parte de um ciclo onde um depende do outro e todos são necessários para manter a vida humana”, explica. “Isso é a consciência do ser, que é um com a natureza, com a Terra, com os ancestrais e com o universo. É o que se chama de ‘bem viver’.”

Segundo Paloma, antes mesmo dos cientistas, os indígenas já falavam sobre as mudanças climáticas a partir da observação da natureza. Por isso mesmo, além de preservar as florestas, eles estão na dianteira quando o tema é soluções para mitigar os efeitos dessas mudanças.

“Eles conhecem quais plantas aguentam certos impactos do clima e quais não, então investem nessas e põem as outras sob cuidados extras”, exemplifica Paloma. “A grande luta é fazer com que essas iniciativas e que a proteção da vida deles sejam de fato uma política e um comprometimento do Estado”, diz. Como desafios, ela aponta as pessoas que negam a existência das mudanças climáticas e a atual política do governo federal contra direitos socioambientais.

Paloma Costa na ONU

Em setembro de 2019, na cúpula da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o clima, a brasileira falou sobre a urgência de defender o meio ambiente e a importância dos povos tradicionais. Ela foi escolhida entre mais de 130 jovens de todo o mundo para discursar ao lado da sueca Greta Thunberg, fundadora do movimento Greve Global do Clima, que tem levando milhares de jovens a protestar contra o aquecimento global.

“Foi um momento muito importante, que me deu visibilidade e permitiu que essa história viesse a público”, diz. “Desde então, tenho participado de vários eventos, levando essas vozes e fazendo essa influência para que as soluções que a gente apresenta nas nossas lutas diárias sejam transformadas em política e comprometimento por parte dos tomadores de decisão.”

Prestes a terminar a graduação em Direito na UnB (Universidade de Brasília), com ênfase em justiça ambiental, Paloma diz que, se depender dela, o “bem viver” indígena vai se tornar uma realidade na política pública brasileira. “E olha que tenho uns 5 ‘empregos’… A gente precisa ter fé em alguma coisa, né?”. Além de assessora do ISA (Instituto Socioambiental), Paloma coordena a Engajamundo, que mobiliza jovens a partir de iniciativas educacionais sobre mudanças climáticas, e é criadora do projeto Ciclimáticos, no qual viaja de bike para registrar os impactos dessas mudanças no dia a dia das pessoas.

A seguir, Paloma Costa compartilha sua visão sobre o que é ser mulher. 

O que é ser mulher hoje? 

Paloma Costa: É lutar por coisas que parecem absurdas, como o direito de ser. Mesmo depois de ter conquistado tantos direitos, ter ido à rua, se exposto, a gente ainda tem que lutar para ser quem a gente é.

O que você espera para o futuro das mulheres? 

Paloma Costa: Que elas sejam o que querem ser, façam o quiserem fazer, e vivam e pensem o que elas querem viver e pensar. Espero que a gente possa ser livre… Que a gente vá para o Carnaval como quiser, que a gente ande nas ruas sem medo, como qualquer outro cidadão deste planeta. Espero aqueles direitos humanos básicos mesmo: vida digna, liberdade, de expressão, de ir e vir… E que não precisemos lutar por questões tão triviais porque a gente já luta diariamente pelas nossas questões pessoais, dúvidas, questionamentos, emoções…

O que gostaria de falar para as mulheres?

Paloma Costa: Que não se calem. Porque temos muito a dizer. E nós dizemos sempre com o nosso coração, com as nossas emoções, com a nossa verdade. Seja, fale, não tenha medo. Porque nós estamos juntas, cada vez mais. Não importa o que digam, a picuinha que queiram causar, sempre a sororidade vai ser maior. Nós somos muitas, nós somos mais e nós somos muito fortes. Desde o começo, esse mundo é patriarcalista, machista, e nós continuamos aqui. Nós que damos vida a esse planeta. Ou seja, lute. Dê a mão para outra mulher, apoie iniciativas e vozes de mulheres, compartilhe, seja presente, tenha sororidade, empatia, respeito e carinho. ▲

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