Como o Veganismo pode Cuidar do Planeta

Ser vegano é um dos caminhos mais eficientes para preservar a nossa Terra, garantindo a conservação das espécies, dos recursos naturais e da camada de ozônio
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Comer é um ato político, como qualquer outra ação cotidiana. E pode até não parecer, mas aquilo que consumimos impacta diretamente nosso contexto socioeconômico e ambiental. Quando falamos em veganismo, não estamos nos referindo apenas ao ato de evitar alimentos de origem animal. E sim de não contribuir com ações que prejudiquem a vida dos animais; seja na cadeia produtiva das roupas, dos móveis e até dos itens de decoração, por exemplo.

Daí a importância de fazermos escolhas mais conscientes, que se refletem inclusive no cuidado com a Terra. “A pecuária é responsável por um terço de toda atividade humana que impacta negativamente o planeta gerando, por exemplo, o aumento de gases de efeito estufa, o desmatamento e a poluição das águas e do ar. Essa atividade inclui a produção de carne, frango, leite, porco, ovos, lã, couro etc. E, para a sua manutenção, é necessário grande uso de recursos naturais”, afirma Alessandra Luglio, nutricionista e coordenadora do Departamento de Saúde e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira.

Veganismo como saída

Um abrangente estudo feito por pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, evidenciaram que os produtos de origem animal são os maiores inimigos ambientais. Publicado na revista científica Science, a pesquisa é resultado de cinco anos de trabalho, com dados de mais de 40 mil fazendas em 119 países. O foco era descobrir quais alimentos causam maior impacto na terra, no desperdício de água, emissões de gases e outros dados.

Sem a produção de carnes e laticínios, o uso de terras para alimentar toda a população poderia ser reduzido em mais de 75%, segundo os cientistas.

“Uma dieta vegana é provavelmente a melhor maneira de reduzir seu impacto no planeta Terra, não apenas gases do efeito estufa, mas acidificação global, eutrofização, uso da terra e uso da água”, disse Joseph Poore, quem liderou o estudo.

Impactos no meio ambiente

Quando o assunto é poluição, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura  (FAO), 14,5% das emissões globais de dióxido de carbono vem da indústria pecuária.

O dióxido de carbono é um dos gases de efeito estufa que mais contribui para a destruição da camada de ozônio. E, consequentemente, para o agravamento da crise climática. Enquanto a produção de 1kg de carne bovina emite 27 kgCO2, a produção de 1kg de feijão emite 2 kgCO2, segundo a Green Eatz.

Além disso, a pecuária é responsável por 80% do desmatamento da floresta Amazônica. Cerca de 80% da produção mundial de soja, 70% da produção mundial de milho e 70% da produção mundial de aveia são destinadas ao consumo animal (saiba mais aqui). Ou seja, gastamos recursos, terra, água e alimentos para nutrir animais que serão consumidos pelo homem.

Quando falamos em água, os números também são expressivos. Mais da metade da água potável do mundo é destinada à pecuária, revela a FAO. Vale recordar que uma em cada cinco pessoas de países em desenvolvimento (1,1 bilhão de pessoas) não têm acesso a água potável, segundo a UNDP. Ou seja, evitar o consumo de animais também reflete em recursos destinados à água que serve a esse sistema pecuarista.

“Outro exemplo de impacto é o fato de que, para a produção de 1kg de carne são necessários 15 mil litros de água, enquanto para se produzir um tomate são utilizados 50 litros”, ressalta Larissa Kuroki, coordenadora de conteúdos do Instituto Akatu.

Infográfico com os Impactos do Consumo de Proteína Animal no Mundo
Infográfico com algumas Comparações para Repensarmos nossos Hábitos Alimentares

O que cada um pode fazer

Quando mudamos nossos hábitos, pressionamos a indústria a criar alternativas diferentes das propostas atualmente. Ainda que a motivação dessas marcas seja não perder seu faturamento com a evasão do público consumidor, já é uma mudança. Ter o poder de escolha é, também, ditar novos hábitos e consumos.

“É fundamental que as pessoas estejam conscientes de que, ao mudarem a sua alimentação, a longo prazo um efeito em cadeia trará um resultado em escala global. Por isso, cada um deve reconhecer o seu papel consumidor em moldar o que a indústria produz e nos oferece”, observa Larissa.

 cada um deve reconhecer o seu papel consumidor em moldar o que a indústria produz e nos oferece

Larissa Kuroki, coordenadora de conteúdos do Instituto Akatu

Se quiser  se aprofundar no tema, o documentário brasileiro Sob a Pata do Boi relata como a pecuária tornou-se bandeira econômica e cultural da Amazônia. Também vale assistir ao documentário Cowspiracy. Ele mostra como a agropecuária intensiva está dizimando os recursos naturais e como esta crise tem sido ignorada por grandes empresas e por grupos ambientalistas. O próprio Greenpeace se colocou de forma oficial contra o consumo de produtos de origem animal somente em 2018.

Dá para ser saudável sendo vegano?

Se você ainda se questiona como é possível ser saudável mseguindo o veganismo, Alessandra Luglio prefere inverter a pergunta. “Como podemos ser saudáveis sendo onívoros? A alimentação ‘normal’ é baseada em números altamente superiores do aceitado em colesterol, proteínas, agrotóxicos, anti-inflamatórios, antibióticos e hormônios”, observa.

 “Isso porque as substâncias tóxicas utilizadas na manutenção da pecuária, como, por exemplo, no cultivo de grãos transgênicos para servir de alimento ao gado, acumulam-se nos tecidos dos animais e as pessoas acabam ingerindo esses poluentes. Quando comemos frutas, verduras, cereais e leguminosas estamos ingerindo alimentos altamente nutritivos capazes de fornecer tudo o que precisamos e com menor índice de agrotóxicos”, afirma a nutricionista.

Alessandra, professora do curso Veganismo: O Mundo é o que Você Come, defende a importância de uma transição alimentar segura, compreendendo os reais benefícios desse estilo de vida para nós e para o planeta.

“Cada indivíduo deve se reconhecer como agente de mudança, capaz de realizar impactos positivos por meio de suas escolhas alimentares. É interessante consultar fontes confiáveis e se empoderar das informações obtidas. Somente quando as pessoas criam consciência dos resultados de suas ações é que velhos hábitos são modulados para novos mais saudáveis”, ressalta.  ▲

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