Testes em Animais: A Crueldade do Consumo

Precisamos desmistificar a ideia de que eles são um"mal necessário" e repensar nossas escolhas
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O desconforto de saber que animais são usados para testar e embasar produtos e tratamentos vem de tempos imemoriais. Na Grécia antiga, médicos dissecavam animais vivos para estudar sua anatomia. E, graças a tal ação, a medicina evoluiu de maneira  incalculável. Com o passar do tempo, os procedimentos de testes evoluíram também, menos as reflexões acerca do tema “crueldade animal”.

Os testes ainda existem e o objetivo é o mesmo: garantir segurança dos humanos no consumo – de brinquedos a remédios. O resultado: ferimentos físicos e transtornos psicológicos para seres vivos indefesos.  A questão é: se evoluímos tanto em tecnologia, por que utilizar animais como cobaias?

No imaginário popular, testes são feitos sobretudo com coelhos e camundongos – este segundo grupo, de fato, o mais usado, porque tem 99% dos genes compatíveis com os humanos. Mas as técnicas mais avançadas também sempre envolveram porquinhos-da-índia, macacos e aves.

Muitas vezes, imagens desses animais abertos e pendurados em ganchos são reproduzidas em cenas e campanhas de ONGs para criar impacto em massa. Famosos como a atriz Yasmin Brunet, e ativistas, como a nutricionista Alessandra Luglio, costumam participar de campanhas que têm a Av. Paulista, em São Paulo, como palco.

Os testes no Brasil e no mundo

Um dos grandes marcos da luta pela produção de cosméticos cruelty free foi quando os países da União Europeia proibiram os testes para fins cosméticos.

Vale ressaltar que  a indústria da beleza é uma das que mais impacta neste contexto. Alemanha, Itália, França, Reino Unido e outros 24 estados já preservam a saúde e a integridade dos animais.

Em setembro de 2019, aqui no Brasil, foi concluído o prazo de cinco anos para que laboratórios adotassem métodos alternativos aos procedimentos com cobaias, conforme estipula uma resolução normativa do Conselho Nacional de Controle e Experimentação Animal (Concea). A norma exige que sejam priorizados métodos alternativos que não usem seres vivos.

A mudança vale para procedimentos que analisem, por exemplo, irritação nos olhos e na pele e fototoxicidade (queimaduras causadas pela substância após exposição solar), incluindo a indústrias de cosméticos, medicamentos, brinquedos e até materiais escolares.  Empresas que não cumprirem a determinação podem perder a licença para realizar pesquisas, além de pagar multa de R$ 5 mil a R$ 20 mil.

Afinal, são necessários os testes em animais?

Algumas organizações de proteção animal, como a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), defendem que técnicas alternativas são mais eficientes e baratas do que os testes em animais. Análise computadorizada, testes em pele produzida em laboratório e testes de contato em seres humanos são alguns dos métodos utilizados em países onde a legislação proíbe o uso dos bichinhos em testes de cosméticos.

Caso os métodos alternativos não apresentarem resultados que garantam a segurança do consumidor, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode exigir procedimentos com cobaias.

Todas as áreas são alvo de ativistas. Mas as da beleza e higiene pessoal se encontram no centro. Talvez porque é ainda mais polêmico associar vaidade e crueldade. “No passado era um desafio, mas hoje é muito possível desenvolver produto com muita qualidade e segurança.  Seja na questão de testes, seja no uso de matéria-prima de origem animal. E isso é possível graças à tecnologia”, afirma a empresária Elza Barroso, fundadora da Face it, marca nacional de batons que nasceu totalmente vegana.  “O Brasil foi o que mais lançou produtos veganos entre 2017 e 2018”, completa.

Identificar se uma empresa realiza testes em animais é bastante difícil. “Porém, uma forma de verificar é averiguar se a empresa comercializa na China e, então, questionar se eles realizam testes em animais, e se foram requisitados por lei. 

Porque essa é a forma como as empresas sempre respondem a esta pergunta: “nós não testamos em animais, a menos que a lei solicite isso”, observa Nicole Valdebenito, diretora de Comunicação da ONG Te Protejo.

De olho nos selos

Para o consumidor, uma forma de evitar consumir produtos testados em animais é ficar atento a selos “cruelty-free”, que assegurem que a empresa não utiliza nenhum tipo de testes em animais durante todo o processo de fabricação dos produtos.  A maioria garante também que a marca não utiliza matéria-prima animal.

Cruelty Free PETA
um dos mais populares, é emitido pela organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais

Leaping Bunny
da  britânica Cruelty Free International.

Certificado SVB Vegano
emitido pela Sociedade Vegetariana Brasileira.

Not Tested on Animals
da organização australiana Choose Cruelty Free.

Certified Vegan
selo americano da Vegan Action