Greta Thunberg: Voz do Ativismo Ambiental

A sueca de 16 anos se tornou protagonista do combate às mudanças climáticas e tem levado ações e discursos mundo afora

8 minutos de leitura
11.10.2019

Até agosto de 2018 Greta Thunberg era apenas uma jovem sueca, filha de uma cantora de ópera e um ator, quando cometeu um ato de rebeldia. O plano traçado entre uma lição de casa e outra colocou a garota em uma jornada ativista que a tornou conhecida mundialmente. 

A garota, que aos 11 anos recebeu o diagnóstico da síndrome de Asperger (um espectro leve do autismo, mas com maior adaptação funcional), carregava há muito tempo uma angústia: os rumos que a crise climática no mundo vinha tomando, o descaso político com o tema e a passividade das pessoas frente a tudo isso. 

Foi aos 8 anos, que Greta sentiu um incômodo com a questão ambiental pela primeira vez. Ela e seus colegas de classe assistiram a um filme sobre plásticos nos oceanos e ursos afetados pelo aquecimento global. “Meus colegas ficaram preocupados, mas, quando o filme terminou, foram pensar em outras coisas. “Eu não consegui”: as imagens ficaram na minha cabeça”. 

Greta, inclusive, atribui à síndrome de Asperger a sua forma peculiar de ver o mundo. Segundo ela, é como se seu cérebro funcionasse de um jeito diferente, mais concentrado na lógica e coerência das coisas, o que faz com que ela se incomode muito quando alguém faz algo diferente do que diz.

Protesto no Parlamento: onde tudo começou

Então, Greta sentia que precisava fazer algo. Em vez de se aproximar de ONGs conhecidas, verbalizar nas redes sociais ou esperar apoio de amigos, ela seguiu uma intuição visceral de quem, genuinamente, sabia que deveria agir. Só não podia adiar.

Em uma manhã de agosto de 2018, Greta saiu de casa destinada a não ir à escola e seguiu rumo ao Parlamento sueco, na cidade de Estocolmo, onde vive. Sentou-se munida apenas com uma cartolina que dizia “greve da escola pelo clima”, junto a outros dados sobre crise climática. Depois, passou a repetir a ação às sextas-feiras.

A repercussão foi tanta que o ato, agora nomeado de Fridays For Future (Sextas pelo Futuro), espalhou-se para outras cidades do mundo, inspirando mais de  1,4 milhão de jovens em 125 países a saírem para protestar motivados por Greta. O ativismo ambiental nunca mais foi o mesmo. 

Greta tem atraído a atenção de mais jovens que também desejam ver mudanças em relação à crise climática. Foto: Global Climate Strike Multimedia Hub / New York City

Greta indicada ao Nobel da Paz

Em um ano, desde que tudo começou, Greta foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz e passou a ser presença esperada em palanques expressivos, como a  COP24 de 2018, edição da conferência global sobre impactos climáticos do planeta, sediada na Polônia. 

“Ouço as pessoas dizerem que as mudanças climáticas são uma ameaça à existência, mas as vejo levar a vida como se nada estivesse acontecendo”, disse em um artigo ao jornal The Guadian. 

Quando Greta fala que temos urgência, ela fala de dados, deangústias , bem como livros, artigos e discursos de outros ativistas veteranos. Mas, agora, é como se levantasse uma voz honesta, transparente e conectada com uma realidade tão urgente. 

Muitos movimentos ativistas em relação ao clima apoiam Greta como uma voz sincera. Foto: Global Climate Strike Multimedia Hub / London

Discurso de Greta na prática

Em meados de agosto deste ano, ela em embarcou em uma viagem que se estendeu por duas semanas no veleiro Malizia II, que saiu de uma marina de Plymouth, no Sudoeste do Reino Unido, rumo a Coney Island, em Nova York, para participar da Conferência do Clima da ONU 2019, em setembro. 

Junto com Greta estavam Pierre Casiraghi, filho da princesa Caroline de Monaco, o velejador alemão Boris Herrmann, dono da equipe de regata Malizia, o cinegrafista sueco Nathan Grossman e Svante Thunberg, pai de Greta.

A ativista escolheu um meio de transporte sustentável, porque se recusa a contribuir com a emissão de carbono que as aeronaves geram. Por isso, embarcou no veleiro Malizia II, que tem eletricidade gerada por turbinas submarinas não poluentes e painéis solares. 

Cada ação importa. Cada movimento conta. Para Greta, é preciso agir já. Foto: Global Climate Strike Multimedia Hub / New York City

Somos todos Greta

Não há como dizer que Greta criou um movimento jovem ou que tem se valido de uma rebeldia. O que está acontecendo é o ganho de um novo fôlego a todos os movimentos ambientais que, em comum, tem como foco a sobrevivência da espécie. Todas as causas estão com Greta.

Recentemente ela inspirou um guia de consumo consciente e ativismo com o livro Il Mio Nome È Greta, escrito por Valentina Giannella, e que chega às livrarias brasileiras em novembro pela VR Editora com o título “Somos Todos Gre”, que aponta caminhos para quem também quer fazer parte de uma mudança.

Em suas falas, Greta costuma demonstrar que não há motivos para ter esperança e que a questão do clima é urgente. Não dá mais para achar que nada precisa ser feito ou que “não é comigo”: o mundo pede um movimento consistente e verdadeiramente comprometido.

Greta recebe críticas, mas demonstra não se abalar: para ela, os xingamentos representam pessoas que não querem ver a mudança. Foto: Global Climate Strike Multimedia Hub / New Delhi

Greta não se intimida com críticas

Pela sua postura enfática, a jovem também tem atraído críticos que a menosprezam por sua pouca idade, sua condição com a síndrome ou mesmo pela aparência física para desqualificar o que ela vem dizendo. 

Mas Greta parece não se importar. Inclusive, depois que o presidente norte-americano Donald Trump se referiu à garota como “uma garota jovem e muito feliz que espera um futuro brilhante e maravilhoso”, Greta se apropriou da ironia e a transformou em biografia na sua conta no twitter.

“Não entendo porque eles escolhem gastar seu tempo zoando e ameaçando adolescentes e crianças por promoverem ciência, quando poderiam fazer algo de bom. Acho que eles devem se sentir muito ameaçados por nós”, tuitou.

Talvez Greta, sozinha, não mude o mundo. Mas ela é uma voz que não nos permite tapar os ouvidos para uma necessidade tão real que é cuidar da nossa casa. Ela é nosso lembrete de que, sim, todos somos responsáveis por cada ação. E que nossa zona de conforto é o maior risco para o planeta.

Mais de um milhão de jovens já saíram às ruas para protestar a partir do exemplo de Greta. Foto: Global Climate Strike Multimedia Hub / Mexico City

Lições de Greta para nós

O que a jovem ativista tem compartilhado para nos lembrar que cuidar do planeta é urgente

1/ Qualquer ação genuína é forma de ativismo:  “Eu aprendi que nunca somos pequenos demais para fazer a diferença.”

 2/ Olhar para um futuro distante, ciente de que ele um dia chegará.  “No ano de 2078 eu farei 75 anos. Se eu tiver filhos, talvez eles passem o dia comigo. Talvez eles me perguntem sobre vocês. Talvez me perguntem por que vocês não fizeram nada enquanto ainda havia tempo para agir.”

3/ O momento é de urgência. É preciso começar a fazer. E agora. “Não quero que tenham medo, quero que tenham pânico.”

4/ Ativismo não é rebeldia, é uma necessidade para sermos ouvidos. “É muito importante que este movimento seja liderado pelos jovens, por que nós é vamos ter que viver essa crise no futuro.”

5/ Qualquer pessoa é capaz.  “Eu acho que, de muitas maneiras, nós autistas somos os normais, e o resto das pessoas é que são estranhas. Principalmente quando o assunto é a crise de sustentabilidade, quando todo mundo fala que as mudanças climáticas ameaçam a nossa própria existência e, mesmo assim, continuam agindo da mesma forma que agiam antes.”

6/ Ser o exemplo ainda é a maior ferramenta de influência. “Estou tentando influenciar pessoas para que, juntos, possamos pressionar os que estão no poder. É especialmente importante que jovens se façam ser ouvidos. Não podemos votar, mas podemos influenciar os que podem”. ▲

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