O Brasil Passa Fome

Quase um terço da população brasileira sofre de insegurança alimentar e a situação no país é mais grave do que a média global. Veja como ajudar
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08.07.2022

Ossos de animais vendidos por quilo e disputados por dezenas de pessoas. Pele de frango comercializada em bandejas nas prateleiras dos supermercados. Brasileiros vendendo seus poucos pertences para garantir o almoço da família. Cenas tão assustadoras quanto reais num país que passa fome. 

Segundo relatório da Organização das Nações Unidas divulgado nesta quarta-feira, 6/7, o Brasil voltou ao “Mapa da Fome”, no pior cenário desde 2010. E, pelo levantamento, a situação no país é mais grave do que a média global. Hoje são 15,4 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave, o que equivale a 7,3% da população no cálculo de prevalência da ONU. Em 2014, quando o Brasil tinha um dos melhores patamares, a insegurança alimentar grave afetava 3,9 milhões de pessoas, o equivalente a 1,9% da população.

Se incluirmos também aqueles com insegurança alimentar moderada, temos 61,3 milhões de brasileiros que precisam reduzir a alimentação por falta de recursos. É quase um terço da população passando por dificuldades para se alimentar e viver. 

Pessoas recebendo marmitas e alimentos

Pandemia não é o principal problema

É verdade que a fome aumentou em todo o mundo nos dois últimos anos em decorrência da pandemia da Covid 19, mas, segundo a avaliação de Daniel Balaban, diretor do Programa de Alimentos da ONU no Brasil, a situação no Brasil começou a piorar ainda antes da pandemia. Segundo ele, “a pandemia não é a maior culpada pelo Brasil estar de volta a esses números extremamente altos de pessoas com fome. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Essa população precisa do apoio de políticas públicas para ser incluída na cidadania, incluída na sociedade. Fazer com que as pessoas possam produzir, possam participar, colocar pequenos negócios, possam ter hoje uma formação educacional diferenciada, uma formação profissional diferenciada”, observa. 

E o problema é que, em todo o mundo, a situação ainda não está perto de melhorar, segundo o relatório da ONU. O contingente de pessoas afetadas pela fome no mundo, nos dados de 2021, tem 46 milhões de pessoas a mais do que em 2020. Isso equivale à população inteira da Argentina. 

Sabemos que, para acabar verdadeiramente com a fome, é preciso que mudanças estruturais aconteçam. Mas você também pode ajudar e pode fazer algo agora. Porque quem tem fome, também tem pressa. A seguir, veja projetos e ONGs onde você pode colaborar. 

Se tem gente com fome, dá de comer

Para fazer a contingência da pior crise humanitária dos últimos tempos no Brasil, a Coalizão Negra Por Direitos, em parceria com a Anistia Internacional, Oxfam Brasil, Redes da Maré, Ação Brasileira de Combate às Desigualdades, 342 Artes, Nossas – Rede de Ativismo, Instituto Ethos, Orgânico Solidário e Grupo Prerrô, mobilizam suas forças para lançar a campanha de financiamento coletivo para arrecadar fundos para ações emergenciais de enfrentamento à fome e à miséria. É possível contribuir com valores a partir de R$ 10.

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Sopão das manas

Coletivo de mulheres voltado à ações sociais e distribuição de alimentos e afeto em comunidades carentes de São Paulo. É possível doar dinheiro via conta bancária ou colaborar participando das rifas.

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Paróquia São Miguel Arcanjo

Quem comanda as atividades com foco nos moradores de rua é o Padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo. As doações podem ser feitas via conta bancária e, além disso, é possível adotar uma família, assumindo diárias de hotel para moradia daqueles que não tem como se proteger.

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Cozinha Solidária do MTST

Ação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) que pretende inaugurar 26 cozinhas comunitárias em diversos estados brasileiros. A proposta é oferecer ao menos uma refeição diária gratuitamente para a comunidade de cada local, nas periferias urbanas.

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Quebrada Alimentada

Idealizado pelo chef Rodrigo Oliveira, do restaurante Mocotó, e pela historiadora Adriana Salay, o projeto trabalha para alimentar pessoas em situação de vulnerabilidade dos arredores da Vila Medeiros, zona norte de São Paulo.

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Sefras 

O Serviço Franciscano de Solidariedade arrecada não só dinheiro, mas alimentos, marmitas, cestas básicas, material de prevenção contra a Covid-19 e também produtos de higiene pessoal e de limpeza. Há pontos de coleta em São Paulo e no Rio de Janeiro.

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Agência Solano Trindade

Com atuação nas periferias de São Paulo, eles criaram uma rede de distribuição de alimentos nas periferias de São Paulo. Durante a pandemia, oferecem  kit higiene, cestas básicas, marmitas e outros itens de necessidades básicas e emergenciais.

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Brasil sem Fome

A Ação da Cidadania com sua grande rede de comitês e voluntários, pede ajuda à sociedade e ao setor privado para levar alimentos aos mais necessitados. 

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Fundo Solidário Mães da Favela

O Fundo Solidário Mães da Favela (Central Única das Favelas CUFA) trabalha pelo público mais atingido pelo desemprego no Brasil: mães, chefes de família, moradoras de comunidades e favelas. O projeto doa cestas básicas e cestas digitais no valor de R$ 120 em dinheiro por dois meses.

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Chega de Fome

A ação Chega de Fome, da ONG Gastromotiva, leva alimentação para população vulnerável em centros urbanos e periferias. E, em um ano, as doações de alimentos para a Gastromotiva caíram 66% – mas a fome só aumentou. O valor arrecadado é  aplicado nas Cozinhas Solidárias, projeto que produz e distribui quentinhas, e no Banco de Alimentos, que recebe doações de alimentos e os repassa para projetos, organizações e aparelhos socioassistenciais parceiros.

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G10 Favelas

O G10 Favelas é um bloco de líderes e empreendedores de impacto social das favelas. As doações recebidas são convertidas em bens para a comunidade, inclusive cestas básicas.

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Unidos do Bem

Como o início da pandemia, o proprietário do Buffet Vila Glam decidiu aproveitar o espaço para produzir marmitas e distribuir para as pessoas em situação de rua em São Paulo. Com o apoio de voluntários, distribui as quentinhas e também recebem doações financeiras ou em cestas básicas, que podem ser entregues diretamente no buffet.

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#PratoDasComunidades

O #PratodasComunidades, iniciativa do jornal comunitário Voz das Comunidades, foi criado no início da pandemia para levar alimentos para quem precisa. Hoje, a iniciativa entrega cestas básicas para diversas famílias no Rio de Janeiro. É possível doar qualquer valor.

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