9 Alimentos que Parecem Saudáveis, Mas Não São

A fama benéfica de certos alimentos não se sustenta quando investigamos sua realidade nutricional. Conheça alguns campeões de boa reputação, mas que, na verdade, trazem malefícios à saúde
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28.07.2021

Avalie quão sedutora pode ser a seguinte situação. Você está empenhado em se alimentar melhor, o que pressupõe aumentar a ingestão de alimentos naturais e nutritivos e reduzir drasticamente itens industrializados. Então, faz uma compra recheada de produtos saudáveis e de preço acessível. Com razão, volta para casa satisfeito e orgulhoso de si mesmo. Opa, mas será que certos alimentos que se apresentam como benéficos para a saúde de fato o são?

A resposta, infelizmente, é nem sempre. Há muitos casos em que a fama de saudável se sobrepõe à realidade nutricional daquele alimento. Por isso, é importante estar antenado e bem informado para não se deixar seduzir por esse verniz do bem tantas vezes aplicado pela indústria alimentícia.

Manobras de barateamento induzem o consumo equivocado

  “Vamos tomar como exemplo o requeijão e o néctar. Ambos são formas de se usar subprodutos ou então diluir produtos para fazer com que as pessoas consumam itens mais baratos, porém sem uma excelência nos ingredientes”, esclarece Alê Luglio, nutricionista e professora do curso Veganismo: O Mundo é o que Você Come

A questão do custo tem um apelo forte, pois quanto mais concentrados os alimentos íntegros, mais caros eles são.  Daí as manobras de barateamento da indústria alimentícia. Por causa delas, a mensagem se torna irresistível: Alimente-se de um jeito mais saudável sem gastar tanto.

“Cabe ao consumidor ter ciência disso e optar por alimentos que realmente entreguem maior qualidade nutricional, mesmo que custem comparativamente mais. Se pensarmos quanto estamos pagando por nutriente, eles não são mais caros”, equaciona a especialista.

Substâncias sintéticas são comuns nos alimentos de origem animal

As coisas também não são muito claras na indústria dos alimentos de origem animal, avisa a especialista. “Esta cadeia é obscura e não leva em consideração os impactos gerados pelos agentes sintéticos com os quais os animais entram em contato em todo o processo. Isso obrigatoriamente acaba impactando o resultado final que é o produto”, ela alerta.  

Na dúvida, antes de colocar qualquer item no cesto é válido ler os rótulos com atenção extrema. Inúmeras substâncias prejudiciais à saúde devem ser evitadas, tais como: adoçantes artificiais (aspartame, sucralose, sorbitol, isomalt, sacarina, acesulfame, glycerol, hsh, lactitol, maltitol e polidextrose), xarope de milho com frutose (High Fructose Corn Syrup), conservantes BHT e BHA (Hidroxianisol Butilado e hidroxitolueno butilado), benzoato de sódio, glutamato monossódico, nitrato e nitrito de sódio, gordura trans/hidrogenada, bromato de potássio e corantes artificiais. Uma dica de ouro: os melhores alimentos são aqueles em que você reconhece os ingredientes.

A seguir, Alê Luglio explica por que 9 alimentos considerados saudáveis à primeira vista estão longe de nos fazerem bem. Tenha essa lista em mente em sua próxima ida ao supermercado. 

Copo com suco de uva, vista de cima, sobre superfície de concreto
Fatias que compoem um sanduíche: pão, peito de perú, alface, queijo, sendo jogadas uma sobre a outra.

1. Peito de peru 

Protagonista de uma dieta saudável durante muitos anos, hoje o peito de peru é comprovadamente um alimento pouco nutritivo e que pode promover malefícios à saúde. Por ser classificado como carne processada e alimento embutido, é rico em conservantes, corantes, sódio, diversos aditivos, entre eles alta quantidade de nitrito e nitratos, que são substâncias altamente cancerígenas. Em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou as carnes processadas (salsicha, linguiça, bacon, presunto e peito de peru) no grupo 1 de carcinogênicos para os quais já há evidência suficiente de ligação com o câncer. Estima-se que cada porção diária de 50g de carne processada aumente o risco de câncer colorretal em 18%. Diante dessa informação, é fundamental atentar-se ao consumo de carnes processadas e, de preferência, excluir essa categoria do menu.

Corn flakes dentro de embalagem feita de saco plástico

2. Corn Flakes / Flocos de milho (sem açúcar) 

Os famosos cereais matinais de flocos de milho, mesmos os considerados “mais naturais”, sem cobertura de açúcar, são na sua maioria produtos refinados, com baixa densidade nutritiva, açúcar adicionado em sua massa, aditivos artificiais e alto teor de sódio. Se você gosta de consumir esses cereais em algum momento do dia, substituí-los por granola pode ser uma boa opção, desde que você opte por uma marca que tenha uma lista de ingredientes com cereais integrais, sementes e pouco açúcar. Entretanto, o melhor cereal é a aveia, considerada um superalimento devido à sua elevada concentração de fibras solúveis e um composto bioativo chamado beta-glucana, que promove benefícios importantes para a saúde intestinal e cardiovascular, além de ajudar na perda de peso.

3. Pão light 

O fato de um pão ser light não significa que seja saudável. Um alimento é chamado de light quando tem 25% a menos de açúcar, sódio ou gorduras quando comparado ao convencional. Além de pobre em calorias, o pão light também é pobre em fibras e nutrientes, sem falar que contém grande quantidade de aditivos químicos. O pão mais saudável é aquele produzido com farinha integral, garantindo um bom teor de fibras, sem adição de açúcar, pouca ou nenhuma adição de gordura, baixo teor de sódio e sem aditivos alimentares.

Várias fatias de torradas de pão de forma branco, e um ovo frito em cima de uma delas. vistos de cima, sobre uma mesa branca.

4. Ovos

O ovo possui alto teor de colesterol, cerca de 180 mg em uma gema: mais que a metade da quantidade diária recomendada de 300 mg de colesterol. Quando consumido em excesso, o colesterol é associado a um risco aumentado de doenças cardiovasculares. Além disso, o seu consumo excessivo pode promover um desequilíbrio interno, gerando o crescimento de bactérias que convertem a colina e a carnitina, presentes nos ovos, em trimetilamina (TMA), que pode ser oxidada em TMAO (trimetilamina N-óxido) e provocar lesões nas artérias. A consequência direta é o aumento do risco de doenças cardiovasculares (incluindo ataques cardíacos), acidente vascular cerebral (AVC) e mortalidade. O TMAO, um subproduto de bactérias intestinais formado durante a digestão e que tem forte interação na relação microbioma-doença, pode ser o motivo pelo qual o consumo de ovos tem sido associado a um elevado risco para o desenvolvimento de câncer.

Salada com pedaços de peito de frango, vista de cima.

5. Peito de frango 

Hoje, a maior parte da carne de ave consumida é oriunda de galinhas criadas em sistema de confinamento. Nesses locais elas são alimentadas com rações de grãos transgênicos com alta concentração de agrotóxicos e vitaminas sintéticas. Além disso, a produção de carne de frango, como outras de origem animal, tem o uso abusivo e inadequado de antibiótico em sua linha de produção. O que pode ser extremamente perigoso para a saúde humana, pois promove a resistência bacteriana. Isso significa que algumas bactérias passam a ser resistentes à uma ou mais classes de antibióticos, o que pode comprometer tanto a saúde dos animais quanto a humana.

Laranjas, limões e maracujás cortados ao meio, em volta de uma garrafa com suco, vistos de cima, sobre uma mesa branca.

6. Néctar de fruta de caixinha 

A maioria dos sucos de caixinhas é feito à base de néctar de fruta, passando a falsa ideia de ser um produto saudável, uma vez que possui pouca quantidade de polpa de fruta e muito açúcar ou adoçante e aditivos artificiais. É uma bebida feita a partir da diluição da polpa de fruta em água, tendo sua concentração em cerca de 20 a 40%. Apresenta baixa densidade nutritiva, oferecendo poucos nutrientes como vitaminas, minerais e compostos bioativos. Além disso, os aditivos artificiais adicionados, especialmente os corantes, estão relacionados ao surgimento de alergias, problemas respiratórios e gástricos, principalmente em crianças.

Tigela com requeijão, vista de cima, sobre superfície de concreto

7. Requeijão 

Também queridinho de muitos, o requeijão apresenta baixo teor proteico por porção, alto teor de colesterol e gorduras saturadas, que devem ser consumidas com moderação, pois aumentam o risco de doenças cardiovasculares e diabetes. Mesmo as versões light também costumam ser ricas em gorduras. Além disso, o requeijão tem uma lista imensa de ingredientes. Entre eles estão aditivos artificiais como espessantes, conservantes e aromatizantes, bastante sódio e até amido na composição de algumas marcas.

Vários potes plásticos com gelatina em cores diferentes, empilhados.

8. Gelatina diet

A gelatina diet é famosa por fazer parte do cardápio de quem vive de dieta, já que tem poucas calorias e o mito do “colágeno”. Porém, possui baixíssima densidade nutritiva, apresentando pouco ou nenhum nutriente, mas muito adoçante, corantes, conservantes e outros ingredientes artificiais, que podem desencadear alergias, problemas respiratórios e gástricos. Inclusive, devido à sua composição, ganha o título de produto alimentício, em vez de alimento. A gelatina diet é produzida a partir do colágeno extraído dos ossos, tendões, tecidos e patas de animais, principalmente suínos e bovinos. Essas partes são trituradas e passam por um processo com produtos químicos para quebrar as estruturas celulares e liberar o colágeno. No entanto, no final do processo, obtém-se uma quantidade pequena dele.

Marmita de papel, com salada e filá de salmão grelhado, vista de cima sobre uma superfície de mármore.

9. Salmão 

O salmão não é uma carne tão saudável assim. O que mais impacta é a sua forma de criação. Ao contrário do que muitos pensam, ele não vem das águas profundas. O salmão atualmente consumido é criado em cativeiro, nas águas rasas do Chile, sendo alimentados com rações de grãos transgênicos com alta concentração de agrotóxicos, antibióticos e corantes artificiais. Além disso, há a contaminação da carne com metais pesado e por POPs (poluentes orgânicos persistentes), que se caracterizam por serem altamente tóxicos, por permanecerem no ambiente por muito tempo e por serem bioacumulativos e biomagnificados. Esses poluentes atingem os lençóis freáticos e acabam indo parar nos lagos, rios e oceanos, prejudicando peixes e outros seres vivos aquáticos.  E ainda, por ser criado na superfície do mar e com uma alimentação artificial, o salmão possui baixo teor de ômega-3 e alto teor de gorduras saturadas. 

Referências sobre o ovo:
  1. Falony, G. Vieira, SRaes, J. Microbiology Meets Big Data: The Case of Gut Microbiota-Derived Trimethylamine. Annu Rev Microbiol. 2015; 69:305-21.
  2. Genevieve TseGuy D Eslick. Egg consumption and risk of GI neoplasms: dose-response meta-analysis and systematic review. Eur J Nutr. 2014 Oct;53(7):1581-90.
  3. Keum, N et al. Egg intake and cancers of the breast, ovary and prostate: a dose-response meta-analysis of prospective observational studies. Br J Nutr. 2015 Oct 14;114(7):1099-107
  4. Xu et al. A genome-wide systems analysis reveals strong link between colorectal cancer and trimethylamine N-oxide (TMAO), a gut microbial metabolite of dietary meat and fat. BMC Genomics 2015, 16(Suppl 7):S4

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