6 Passos Para Começar a se Alimentar Melhor

Com ajustes simples, você pode melhorar e muito sua relação com a comida. Saiba como mudar hábitos alimentares de um jeito gentil e consistente
7 minutos de leitura
29.01.2021

Quem pode estufar o peito e afirmar que vive em paz com a comida? Poucos. Em geral, a relação das pessoas com os alimentos é polvilhada de dúvidas, culpa, negação, desinformação e muita autoindulgência. Costuma ser aflitivo, sim, mas pode ser diferente. Aliás, pode ser muito melhor: afinal, esse ato básico da existência é, por natureza, amistoso, saboroso e nutritivo. 

“Comer é – ou deveria ser – uma fonte diária de satisfação e não uma batalha a travar”, defende a historiadora e jornalista britânica Bee Wilson, autora de Como Aprendemos a Comer: Como a alimentação dá tão errado para tanta gente e como fazer escolhas melhores (Zahar).

Ela, que deixou no passado uma relação conflituosa com a comida e se especializou no tema, enaltece o potencial de cada indivíduo para adotar hábitos saudáveis. “Muitos adultos são pessimistas quanto à própria habilidade para mudar seu relacionamento com a comida. Alguns podem levar mais tempo que outros. Porém, aprender a comer melhor está ao alcance de todos”.

Antes do ato de comer, existe uma relação com o que se come

Não se martirize achando que você está fazendo tudo errado em matéria de nutrição. É justo reconhecer que, não raro, as notícias tornam tudo ainda mais confuso. Num dia, certo alimento é incrível; no outro, abominável. Como se balizar num mundo reduzido a vilões e mocinhos, não é?

Precisamos de um ponto de partida confiável para reformular nossa postura no fogão, à mesa, na feira, no mercado… O que a especialista britânica sugere é, antes de tudo, refletirmos sobre como nos relacionamos com o que comemos. “Temos de reaprender a arte da alimentação, que é uma questão psicológica, além de nutricional. Temos que encontrar um jeito de querer as comidas que nos fazem bem”, incentiva.

A historiadora é firme nessa hora. Se nos agarrarmos aos hábitos adquiridos desde o nosso nascimento, faremos pouco ou nenhum progresso. Agora, como adultos, abastecidos com recursos internos e externos, podemos repensar gostos antigos e nos abrir para incluir no cardápio novas referências.

YAM adentra essa cozinha e sugere 6 passos para quem quer começar a comer melhor. Sem pressa, sem crise. Mas com efetividade. 

1. Comece pelos básicos da cozinha

Sim, seu cunhado pode ter se graduado numa escola francesa de gastronomia. Très bien! Por ora, reserve essa informação e foque no seu desejo de começar a se alimentar melhor. Se você puder se orgulhar da sua desenvoltura para preparar o trivial nosso de cada dia, palmas para você. 

Estamos falando do quarteto: arroz, feijão, batata e macarrão. Eles são a base de muitas receitas e, quando fresquinhos e bem temperados, acordam a memória da comida de vó. Lembra daquelas refeições de verdade que nos ajudaram a crescer? Pois bem, esse será apenas o começo de um resgate cheio de sustância e afeto. 

“Além de comer bem, podemos comer de forma  inteligente, ou seja, evitar desperdícios e entender um pouco mais dos benefícios que a energia de cada alimento nos traz”, propõe Mariana Aires, que não se diz chef de cozinha, mas uma cozinheira que aproveita todos os alimentos a favor de uma comida simples e gostosa. Veja receitas fáceis com um passo a passo bem-explicadinho pela Mari clicando aqui.

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2. Reduza o consumo de proteína animal

Repletos de gorduras saturadas, hormônios e antibióticos, alimentos de origem animal não beneficiam ninguém: nem você, nem o planeta, tendo em vista o impacto devastador que essa indústria causa ao meio ambiente.

Pois bem. Apesar das contra indicações diversas, algumas pessoas não conseguem se imaginar sem carnes, leite e derivados. Retirar esses itens de uma vez só da alimentação seria tarefa dificílima. “Melhor nem tentar!” Engano. Pois é perfeitamente possível fazer essa transição respeitando o momento e a disponibilidade de cada um. Afinal, a ideia é que a redução do consumo de proteína animal seja sustentável e duradoura. Portanto, vá no seu ritmo. 

“Uma sugestão é começar retirando a carne e o leite e/ou derivados de duas refeições principais na semana, durante um mês, fazendo as substituições adequadas. Incluindo uma maior variedade de alimentos, descobrindo novos sabores e novas possibilidades de preparações”, recomenda Alessandra Luglio, nutricionista, ativista do veganismo e professora do curso YAM Veganismo: O Mundo é o Que Você Come.  

3. Valorize alimentos da estação

Os alimentos sazonais concentram o potencial de vida que só a terra pode nos ofertar. É a natureza no seu ápice, pronta a partilhar essa dádiva conosco. “Além de estarem em seu melhor ponto e sabor, eles também tendem a ser mais baratos”, destaca Dani Leite, co-fundadora do Comida Invisível, empresa social que oferece soluções de combate ao desperdício de alimentos.

Com isso, saiba que você não está apenas fornecendo ao seu organismo as melhores opções nutricionais daquele período. Ao valorizar a safra de cada época, também evita que mais recursos sejam dispensados para produzir frutas e legumes quando a estação do ano não lhes são mais favoráveis.

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4. Aumente a ingestão de vegetais

Fique tranquilo e não tenha medo de ganhar peso ao trocar as proteínas animais por mais arroz, batata, feijão, ervilha, legumes e vegetais, por exemplo. Quando se retira os alimentos de origem animal do prato, há uma redução considerável da quantidade total de gorduras consumidas ao longo do dia e, consequentemente, de calorias. 

“Ao consumir mais vegetais, aumenta-se a densidade nutritiva da refeição, ou seja, há o aumento do consumo de fibras e do aporte de nutrientes essenciais, e isso é positivo à saúde e ajuda na manutenção do peso corporal”, esclarece Alê Luglio.

5. Prefira orgânicos

Uma alimentação equilibrada e colorida à base de alimentos de origem vegetal é incrível, e, se for livre de veneno agregado, fica perfeita! Então, sempre que possível, prefira alimentos orgânicos, aqueles cultivados sem o uso de agrotóxicos ou modificações genéticas e respeitando suas particularidades, como safra, solo e clima propício para crescimento. 

“Os produtos orgânicos possuem relativamente mais nutrientes como vitaminas, minerais e principalmente compostos bioativos também conhecidos como fitoquímicos, que exercem importante ação antioxidante e protetora em nosso organismo. Ou seja, o valor nutricional dos alimentos orgânicos é superior aos alimentos cultivados de forma tradicional”, destaca Alessandra.

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6. Tire o foco das calorias

“Ao longo de mais de dez anos atendendo em consultório, percebi que quanto mais os pacientes pensam em calorias, carboidratos, proteínas e toda essa nutrição muito numérica, matemática, mais eles se afastam da nutrição e de toda a potência e vitalidade que o alimento pode nos trazer”, revela a nutricionista.

Moral da história: Em vez de ficarmos vidrados em calorias, precisamos entender o que é densidade nutritiva. Isso significa que um alimento pode ter a mesma quantidade de calorias do que outro, mas ter também menos nutrientes. Trocando em miúdos: o ponto central é a qualidade, critério que inclui a carga de macro e micronutrientes que cada alimento oferece para fazer nosso corpo funcionar bem, e não a quantidade de alimentos que ingerimos. 

Separado o joio do trigo, fiquemos com a essência: O princípio fundamental do alimento é nutrir. Esta sim é uma referência acima de modismos e polêmicas e, por isso, deve orientar nossas garfadas.  ▲